Órgãos do ES propõem que bets informem risco de perda antes das apostas

Órgãos do ES propõem que bets informem risco de perda antes das apostas

Proposta enviada ao Ministério da Fazenda prevê cálculo obrigatório da probabilidade de prejuízo e alerta para apostas com risco superior a 80%

Um grupo de trabalho formado por órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta para ampliar a transparência nas plataformas de apostas esportivas. A sugestão prevê que sites e aplicativos de bets sejam obrigados a informar ao usuário, antes da confirmação da aposta, a probabilidade de perda financeira.

A iniciativa foi elaborada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC), com participação de representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Procon-ES, Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), Defensoria Pública e Procuradoria-Geral do Estado.

Segundo o grupo, a ausência de informações sobre o risco de prejuízo pode caracterizar publicidade enganosa por omissão, já que o consumidor não teria acesso a um dado considerado essencial para decidir se pretende realizar a aposta.

A proposta apresentada ao governo federal estabelece três principais medidas. A primeira é a criação de uma fórmula matemática padronizada para calcular a probabilidade de perda a partir das próprias odds oferecidas pelas plataformas.

O resultado desse cálculo deverá aparecer com o mesmo destaque visual utilizado para apresentar o possível prêmio. A ideia é que a informação sobre o risco tenha tamanho, cor e visibilidade equivalentes aos dados relacionados ao possível ganho.

Outra medida prevista é a criação de um alerta específico para apostas cuja probabilidade calculada de perda ultrapasse 80%. Nesses casos, o usuário deverá receber uma mensagem sobre o alto risco financeiro antes de confirmar a operação.

Como exemplo, o grupo analisou uma aposta com odd 17, que indica um pagamento potencial equivalente a 17 vezes o valor apostado. Embora o possível retorno possa chamar a atenção do consumidor, o estudo aponta que uma aposta com essa cotação teria aproximadamente 94% de probabilidade de perda.

Para os órgãos de defesa do consumidor, apresentar apenas o possível ganho pode dificultar uma avaliação adequada sobre os riscos envolvidos na operação.

A proposta ainda não tem prazo definido para receber uma resposta do Ministério da Fazenda. O objetivo do grupo é que a sugestão seja avaliada e, caso acolhida, possa contribuir para futuros aperfeiçoamentos na regulamentação nacional das apostas de quota fixa por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF).

Em manifestação ao g1, o Ministério da Fazenda confirmou o recebimento do documento e informou que a proposta será analisada pela Secretaria de Prêmios e Apostas.

A pasta também destacou que a legislação brasileira já prevê mecanismos de proteção aos apostadores e promoção do jogo responsável. Entre as medidas existentes estão o monitoramento do comportamento dos usuários, autotestes, ferramentas de autolimitação e mecanismos de suspensão e autoexclusão de contas.

De acordo com o Ministério da Fazenda, os operadores devem acompanhar indicadores como valores gastos, frequência e tempo dedicado às apostas e possíveis sinais de comportamento problemático. A Secretaria afirmou ainda que mantém uma agenda regulatória para avaliar continuamente a necessidade de aperfeiçoamentos nas regras do setor.