Burnon: quando a chama não apaga, mas consome

Burnon: quando a chama não apaga, mas consome

Artigo nº30

 

Você já sentiu que está produzindo, entregando, cumprindo prazos, dando conta de tudo mas, por dentro, algo não vai bem? Nos últimos tempos, tenho percebido algo sutil, mas muito presente nas conversas com líderes, empresários e profissionais em cargos de responsabilidade, inclusive tem sido temas em filmes e novelas. Um fenômeno que não grita como o burnout, mas que vai corroendo por dentro: o burnon.

Diferente do burnout, que paralisa, o burnon continua funcionando. A pessoa segue produtiva, participa das reuniões, entrega resultados e até sorri. Por fora, está tudo certo mas, por dentro, a energia está drenada, o entusiasmo se apagou, e o propósito parece distante. É como uma vela acesa, mas que já não ilumina com intensidade.

Acredito que todo líder e empresário já esteve nesse lugar. Eu mesma já estive… acordava cedo, atendia clientes, entregava treinamentos, postava conteúdo, dava conta de tudo. Mas no fim do dia, o cansaço era emocional, não físico. Eu fazia o que amava, mas sem sentir prazer. Tudo parecia automático, como se estivesse sobrevivendo ao invés de viver plenamente o processo.

E é exatamente isso que torna o burnon tão perigoso. Ele se esconde atrás da produtividade, da paixão pelo que fazemos, do compromisso com a entrega. Mas a verdade é que estamos operando no modo “resistência”, sem tempo para pausar, respirar ou nos reconectar. E o pior: muitas vezes, nem percebemos.

Por isso resolvi abordar sobre esse tema aqui, nesse espaço, com você. Porque, como líderes e empresários capixabas, precisamos refletir: estamos cuidando de quem cuida dos resultados? Estamos mesmo atentos à nossa saúde emocional, ou só ao desempenho? O burnon pode até parecer inofensivo, mas ele mina aos poucos nossa capacidade de liderar com presença, clareza e propósito. Nos processos de mentoria, vejo muitos líderes atuando sem sentir. Estão presentes de corpo, mas ausentes de alma. E liderar, de verdade, exige mais do que presença física, exige conexão, escuta, emoção… que a gente esteja inteiro.

Se esse texto te tocou de alguma forma, talvez seja hora de parar e se perguntar: como tenho cuidado de mim enquanto cuido de tantos? Quais sinais meu corpo tem dado? Existe espaço na minha rotina para recuperar energia e não só gastá-la? Reconhecer o burnon e buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza e sim de consciência, é um convite para ajustar a rota antes que o cansaço vire colapso, para liderar com mais verdade, equilíbrio, presença e saúde.

Seguimos juntos, com coragem para reacender o que importa sem nos apagar no processo.

Nos vemos na próxima coluna.

Com carinho e propósito,

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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