Como você tem escalado o seu time?
Por Vanessa Freitas – Liderança em Foco | Portal Foco no ES
A cada jogo da Seleção Brasileira, milhões de torcedores analisam e questionam as escolhas do técnico Ancelotti e defendem suas próprias escalações, e essas discussões tomam conta das rodas de conversa, dos programas esportivos e das redes sociais. Debates como esse também acontecem diariamente dentro das empresas. Líderes, gestores e empresários também escalam seus times, escolhem quem será contratado, promovido, transferido ou colocado à frente de projetos estratégicos. E, assim como no futebol, os resultados costumam refletir a qualidade dessas escolhas. A questão é que as organizações cobram desempenho sem antes avaliar se colocaram as pessoas certas nas posições certas
Nenhum técnico sério define uma escalação sem conhecer as características de cada jogador e sem considerar a função que ele precisará desempenhar dentro do esquema tático. Nas empresas, a lógica deveria ser a mesma. Antes de falar sobre metas, produtividade ou alta performance, é necessário entender o propósito de cada função, quais são as responsabilidades do cargo, quais conhecimentos técnicos são indispensáveis e quais competências comportamentais favorecem o sucesso naquela posição. Atenção também se a descrição do cargo corresponde ao que realmente é exigido no dia a dia e o salário está compatível com a complexidade das entregas esperadas.
É comum encontrar empresas que desejam análises sofisticadas, decisões estratégicas e autonomia profissional, mas estruturam a equipe com cargos e remunerações incompatíveis com esse nível de responsabilidade. Nesse cenário, o problema não está necessariamente nas pessoas, mas na forma como o time foi montado. Recentemente, durante uma consultoria, um diretor me procurou com um objetivo claro: transformar sua equipe em um time de alta performance. A solução que ele imaginava era investir em treinamentos, mas ao aprofundar o diagnóstico, identifiquei outra questão: a maior parte da equipe era composta por estagiários e assistentes, enquanto as atividades exigiam capacidade analítica, tomada de decisão e experiência compatíveis com profissionais de nível analista.
Não havia falta de esforço ou comprometimento, mas um desalinhamento entre o que a empresa precisava entregar e o perfil dos profissionais que ocupavam aquelas posições. A recomendação foi revisar a estrutura da área. Parte do quadro foi redimensionada e a empresa passou a contratar profissionais com competências mais aderentes às demandas do negócio. Os treinamentos continuaram fazendo parte do processo, mas deixaram de ser a única resposta para um problema que era estrutural e o os resultados apareceram.
O episódio reforçou que treinamento potencializa competências, mas não corrige erros de escalação. No futebol, dificilmente um técnico conquistará grandes resultados escalando jogadores fora de posição ou esperando que atletas em formação assumam responsabilidades para as quais ainda não estão preparados. Nas empresas, o princípio é exatamente o mesmo.
Organizações que alcançam resultados consistentes costumam investir tempo na definição de cargos, competências, responsabilidades, faixas salariais e critérios de desenvolvimento e compreendem que desempenho não depende apenas de esforço individual, mas também da construção de uma equipe coerente com os desafios do negócio.
Enquanto muitos discutem as escolhas do técnico da Seleção Brasileira, sugiro uma reflexão sobre as escolhas feitas dentro da própria empresa, afinal, toda estratégia depende das pessoas que entram em campo para executá-la e nenhuma equipe alcança seu máximo potencial quando a escalação é feita sem critérios claros.
Com atenção à escalação do time,
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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