Multa de trânsito no Brasil pode chegar a R$ 35 mil; veja as infrações mais caras

Multa de trânsito no Brasil pode chegar a R$ 35 mil; veja as infrações mais caras

Organizar bloqueio de vias públicas pode gerar penalidade de R$ 17,6 mil, com valor dobrado em caso de reincidência. No Espírito Santo, quase 7 mil motoristas foram multados por recusar o teste do bafômetro entre janeiro e setembro.

Motoristas que cometem determinadas infrações de trânsito no Brasil podem enfrentar penalidades que ultrapassam R$ 35 mil, além da suspensão do direito de dirigir. Os valores mais elevados estão relacionados a condutas consideradas graves pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como organizar bloqueios de vias públicas, dirigir sob efeito de álcool ou drogas e participar de disputas não autorizadas nas ruas e estradas.

A penalidade mais alta é aplicada a quem organiza a interrupção deliberada da circulação em uma via sem autorização do órgão competente. O valor inicial é de R$ 17.608,20, mas pode dobrar e chegar a R$ 35.216,40 em caso de reincidência no período de 12 meses. A infração também prevê suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

De acordo com Jederson Lobato, gerente de fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), a responsabilização pela organização do bloqueio é diferente daquela aplicada aos condutores que participam da interrupção.

Segundo ele, o organizador é identificado após investigação do órgão responsável pela via. Já o motorista que participa do bloqueio pode ser autuado pela própria conduta, com multa de R$ 5.869,40.

Lobato ressalta que esse tipo de ocorrência pode comprometer serviços essenciais, dificultar o transporte de mercadorias e impedir a circulação de pessoas. Paralisações que bloqueiam estradas, por exemplo, podem afetar o abastecimento de combustíveis e alimentos.

Quais são as cinco multas de trânsito mais caras?

Os valores das penalidades variam conforme a infração e as circunstâncias previstas na legislação. Entre as multas mais elevadas estão as relacionadas à obstrução de vias, à condução sob efeito de álcool ou drogas e à participação em competições ilegais.

1. Organizar bloqueio de via pública — até R$ 35.216,40

Prevista no artigo 253-A do CTB, a infração custa R$ 17.608,20 para o organizador. Em caso de reincidência no prazo de 12 meses, o valor dobra. A penalidade inclui ainda a suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

2. Bloquear vias públicas — R$ 5.869,40

O artigo 253 do CTB prevê essa multa para quem utiliza o veículo para interromper, restringir ou perturbar a circulação na via sem autorização, conforme as condições estabelecidas pela legislação.

3. Dirigir sob influência de álcool ou drogas — R$ 2.934,70

Prevista no artigo 165, a infração é considerada gravíssima e prevê multa multiplicada por dez, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Dependendo das circunstâncias, a conduta também pode configurar crime de trânsito.

4. Recusar o teste do bafômetro — R$ 2.934,70

A recusa aos procedimentos previstos para verificar a influência de álcool ou de outra substância psicoativa é tratada pelo artigo 165-A do CTB. A penalidade inclui multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

5. Disputar racha ou competição não autorizada — R$ 2.934,70

O artigo 173 prevê multa para quem participa de corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada em via pública. A infração também pode resultar na suspensão do direito de dirigir e, conforme o caso, em responsabilização criminal.

As multas por dirigir sob influência de álcool ou drogas, recusar o bafômetro e disputar rachas podem dobrar em situações de reincidência previstas no CTB. Por isso, as consequências financeiras podem ser ainda maiores.

Especialistas alertam para riscos à segurança viária

Além do impacto financeiro, determinadas infrações podem colocar em risco a vida de motoristas, passageiros, pedestres e outros usuários das vias.

O capitão Anthony Moraes, especialista em Segurança Viária, destaca que dirigir após consumir bebidas alcoólicas ou utilizar drogas está associado ao risco de acidentes graves. Para ele, as penalidades têm papel importante na tentativa de desestimular comportamentos perigosos.

O especialista André Cerqueira também defende uma mudança na forma como os condutores encaram as regras de trânsito. Na avaliação dele, a prevenção deve ir além do receio de receber uma multa e se concentrar no respeito à vida.

A percepção de que as infrações serão identificadas e punidas também pode contribuir para reduzir comportamentos de risco, reforça Cerqueira.

Espírito Santo registra milhares de autuações

Dados referentes ao período de janeiro a setembro deste ano mostram que as cinco infrações listadas tiveram registros nas vias do Espírito Santo. A recusa ao teste do bafômetro concentrou o maior número de autuações entre as ocorrências apresentadas.

Confira os números:

  • Recusar o teste do bafômetro: 6.865 multas.

  • Dirigir sob influência de álcool ou drogas: 865 multas.

  • Bloquear vias públicas: 131 multas.

  • Disputar racha ou competição não autorizada: 21 multas.

  • Organizar bloqueio de via pública: 2 multas.

Os dados reforçam a dimensão das infrações relacionadas ao consumo de álcool e à fiscalização dos condutores no Estado. Somente as autuações por recusa ao bafômetro e por dirigir sob influência de álcool ou drogas somaram 7.730 registros no período.

As penalidades previstas no CTB buscam coibir condutas que comprometem a segurança e a fluidez do trânsito. Para os motoristas, conhecer as regras e respeitar os limites legais é uma forma de evitar prejuízos financeiros e, principalmente, contribuir para a redução dos riscos nas ruas e rodovias.