Estelionatos passam de 26 mil casos no ES em seis meses; veja cidades com mais registros
Estado teve média de 144 ocorrências por dia no primeiro semestre; golpes digitais estão entre os principais responsáveis pelo aumento
O Espírito Santo registrou mais de 26 mil ocorrências de estelionato nos primeiros seis meses de 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp). O número representa um aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 24.247 casos.
O levantamento aponta que Vila Velha, Serra, Vitória, Cariacica, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim e Guarapari concentram os maiores números de registros no Estado.
A quantidade de ocorrências equivale a uma média de aproximadamente 4,3 mil casos por mês, ou cerca de 144 registros por dia. Na prática, foram registrados, em média, seis casos de estelionato a cada hora durante o primeiro semestre.
Segundo a Polícia Civil, uma parcela significativa das fraudes ocorre no ambiente digital. O crescimento dos golpes pela internet acompanha a maior utilização de aplicativos, redes sociais e serviços bancários digitais pela população.
O delegado-adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações, Jonathan Lana, explica que a mudança no perfil dos crimes patrimoniais vem sendo observada desde a pandemia. De acordo com ele, os estelionatos passaram a ocupar espaço que antes era mais associado a crimes como furtos e roubos.
Entre os mecanismos utilizados pelos criminosos está a criação de situações de urgência ou pressão emocional, levando as vítimas a realizar transferências, fornecer senhas ou compartilhar informações pessoais sem verificar a identidade do interlocutor.
Um dos casos envolve uma vítima que perdeu mais de R$ 10 mil após adquirir um pacote de viagem que nunca foi realizado. Segundo o relato, nenhuma confirmação de reserva ou voo foi recebida e, posteriormente, a vítima percebeu que havia sido enganada.
Golpes mais comuns
Entre as fraudes mais registradas pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações, em Vitória, estão o falso advogado, quando criminosos se apresentam como profissionais ligados à Justiça para cobrar valores; o golpe do Pix para amigos ou familiares, geralmente após a invasão de contas de aplicativos de mensagens; e a falsa central de atendimento bancário.
Também aparecem casos em que criminosos se passam por órgãos públicos para obter dados pessoais ou informações bancárias das vítimas.
A orientação da Polícia Civil é evitar transferências de dinheiro ou o compartilhamento de dados bancários quando o contato ocorrer por telefone ou aplicativos de mensagens, principalmente quando houver pressão para uma decisão imediata.
Outra recomendação é reforçar a segurança das contas digitais com autenticação multifator e estabelecer limites para transferências bancárias. Essas medidas podem reduzir os prejuízos caso uma conta seja comprometida.
Nas compras pela internet, a orientação é verificar a segurança do site, pesquisar o CNPJ da empresa, consultar a reputação do estabelecimento e desconfiar de ofertas ou solicitações de pagamento que apresentem características fora do padrão.
Caso a pessoa perceba que foi vítima de um golpe, a recomendação é registrar um boletim de ocorrência o mais rápido possível. As informações podem ajudar nas investigações e na identificação dos responsáveis pelas fraudes.
Além da perda financeira, vítimas relatam impactos emocionais provocados pela sensação de impotência diante da dificuldade de localizar os criminosos ou recuperar os valores transferidos.

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