Câmeras com IA flagram celular, falta de cinto e outras infrações nas rodovias do ES
Equipamentos já identificaram 566 infrações em agosto e nos primeiros 10 dias de setembro; registros são analisados pela PRF antes de eventual autuação
Câmeras equipadas com Inteligência Artificial (IA) estão ampliando a fiscalização nas rodovias do Espírito Santo e já conseguem identificar situações como motorista usando celular, ocupantes sem cinto de segurança e até o transporte irregular de crianças. Os equipamentos funcionam como um sistema de monitoramento que registra as imagens e encaminha possíveis infrações para análise da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A tecnologia começou a ser utilizada no Estado em fevereiro de 2026, inicialmente em pontos localizados em Linhares e na Serra. Mais recentemente, uma terceira câmera passou a operar em Viana, na pista Sul.
Diferentemente dos radares tradicionais, voltados principalmente para o controle de velocidade, os novos equipamentos conseguem analisar a parte frontal dos veículos e identificar comportamentos que podem representar infrações de trânsito.
Entre as ocorrências detectadas estão o não uso do cinto de segurança, o motorista dirigindo com apenas uma das mãos e o uso ou manuseio de telefone celular ao volante. Também podem ser registradas situações como mudanças de faixa em locais proibidos e o transporte inadequado de crianças.
Segundo Carlos Eduardo Diniz, coordenador de tráfego da Ecovias Capixaba, as câmeras são posicionadas de maneira que consigam visualizar a parte frontal do veículo. Quando o sistema identifica uma possível irregularidade, a ocorrência é encaminhada para conferência.
A análise final não é feita automaticamente pela inteligência artificial. A PRF verifica as imagens e avalia se existem elementos suficientes para caracterizar a infração. Somente após essa validação é que o procedimento pode resultar em autuação.
566 infrações registradas
Os equipamentos já vêm sendo utilizados para registrar infrações sem a necessidade de abordagem do motorista. Em agosto de 2026, foram contabilizadas 348 ocorrências. Já entre 1º e 10 de setembro, outras 218 infrações foram registradas.
No total, são 566 infrações identificadas nesse período.
A maior parte dos registros está relacionada ao uso do cinto de segurança. Foram 290 autuações por condutor sem cinto, infração considerada grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
Outras 93 ocorrências envolveram passageiros sem o equipamento de segurança. Nesse caso, a infração também é grave e prevê multa de R$ 195,23, além de cinco pontos na habilitação do condutor.
O uso de celular também aparece entre os principais registros. Foram 60 casos de motorista dirigindo segurando o telefone, infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. Outros 11 registros foram classificados como condução do veículo manuseando o celular, também com multa de R$ 293,47 e sete pontos.
Entre as demais ocorrências estão um caso de motorista conduzindo com apenas uma das mãos e um registro de transporte de criança sem observância das normas de segurança previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
As câmeras também podem operar durante a noite e em condições de baixa visibilidade. De acordo com a PRF, os equipamentos contam com infravermelho e iluminação específica, permitindo a captura das imagens sem provocar ofuscamento nos motoristas.
Após a validação da ocorrência, o processo segue os mesmos procedimentos de uma autuação convencional, incluindo a notificação do proprietário e o direito de apresentar recurso.
IA também pode chegar aos radares de velocidade
Apesar do avanço da tecnologia, os radares tradicionais utilizados para fiscalização de velocidade ainda não contam com Inteligência Artificial embarcada. Segundo a Ecovias Capixaba, não há previsão, neste momento, para a instalação da tecnologia nos equipamentos de controle de velocidade.
A concessionária, porém, afirma que diferentes sistemas vêm sendo avaliados para uma possível utilização futura. Entre as tecnologias testadas está o monitoramento da velocidade média dos veículos em determinado trecho.
Outra possibilidade é ampliar o monitoramento por meio de câmeras de longo alcance. A previsão é que, até agosto de 2028, cerca de 70% da rodovia seja acompanhada por equipamentos capazes de alcançar até dois quilômetros, ampliando a área que pode ser observada pela fiscalização.
A expansão do monitoramento deve aumentar a capacidade de identificação de comportamentos de risco nas estradas, enquanto a decisão sobre eventual autuação continua dependendo da análise e validação dos agentes responsáveis.

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