Lavouras de laranja ajudam a combater mudanças climáticas, aponta pesquisa
As laranjeiras podem desempenhar um papel relevante na luta contra as mudanças climáticas. É o que mostra um estudo conduzido pela Embrapa em parceria com o Fundecitrus, que identificou o potencial dos pomares da fruta no armazenamento de carbono, reduzindo, assim, a presença de gases do efeito estufa na atmosfera.
De acordo com a pesquisa, cada hectare de laranja remove, em média, duas toneladas de carbono por ano. A estimativa foi obtida com base em modelos matemáticos aplicados às características dos pomares. O estudo contou com apoio da empresa britânica innocent drinks e foi publicado na revista científica Agrosystems, Geosciences & Environment.
Potencial capixaba
No Espírito Santo, a lavoura de laranja pode ter papel estratégico nessa agenda ambiental. Segundo dados do IBGE e do Incaper, o estado possui 1.803 hectares de laranjeiras em produção, com 787 mil pés da fruta. Em 2023, isso resultou em uma produção de 24.245 toneladas. Com base nas estimativas da Embrapa, os pomares capixabas seriam capazes de remover cerca de 3.606 toneladas de carbono da atmosfera por ano, considerando apenas a área atualmente cultivada.
Esse volume, embora modesto diante do total de emissões do estado — que, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), foi de 29,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2023 —, representa uma contribuição significativa dentro do conceito de agricultura de baixo carbono.
Agricultura como aliada do clima
A extensionista do Incaper, Mariana Abdalla Prata Guimarães, destaca que o cultivo de citros pode exercer um papel importante na mitigação das emissões de gases do efeito estufa. “Considerando o potencial para a produção de citros no Espírito Santo, especialmente devido à ausência do greening, há uma oportunidade concreta de reduzir as emissões de CO₂ na atmosfera com os plantios”, afirma.
Segundo ela, outros cítricos, como tangerina, limão e lima, também podem desempenhar essa função, especialmente quando aliados a boas práticas de manejo. “Nos citros, o baixo ou nenhum revolvimento de solo, associado à menor frequência de roçadas e manejo de plantas espontâneas, influenciam no sequestro e liberação de carbono atmosférico”, explica.
Em 2023, o Espírito Santo registrou 4.163 hectares colhidos de frutas cítricas, com uma produção total de mais de 77 mil toneladas.
Para Mariana, é hora de levar o debate sobre sequestro de carbono para dentro das propriedades rurais. “O tema tem grande potencial e precisa entrar no radar dos agricultores. É importante entender como cada produtor pode contribuir para minimizar os efeitos das mudanças climáticas e aproveitar oportunidades que podem surgir a partir disso”, conclui.
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