Financiamento de R$ 1,1 bilhão pode abrir caminho para investimentos japoneses no ES

Financiamento de R$ 1,1 bilhão pode abrir caminho para investimentos japoneses no ES

Operação com o BID terá garantia de agência estatal japonesa e pode ampliar a aproximação do Espírito Santo com empresas e investidores asiáticos

Uma operação de financiamento de US$ 216,8 milhões, cerca de R$ 1,1 bilhão, destinada ao Espírito Santo, pode ir além da melhoria da infraestrutura logística e abrir espaço para uma aproximação maior entre o Estado e empresas japonesas.

O empréstimo, concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Programa Eficiência Logística do Espírito Santo, terá o crédito garantido pela Nippon Export and Investment Insurance (Nexi), agência estatal japonesa responsável por oferecer seguros e garantias para operações relacionadas ao comércio e aos investimentos.

Na prática, a garantia reduz os riscos associados ao financiamento e também integra uma estratégia mais ampla de aproximação do Japão com os mercados latino-americanos. A expectativa é que a operação contribua para que investidores japoneses conheçam melhor as oportunidades e o funcionamento da economia capixaba.

A movimentação ocorre em meio a negociações e ações de aproximação conduzidas pelo país asiático na América Latina. Uma equipe econômica japonesa sediada no Rio de Janeiro vem acompanhando o mercado regional com o objetivo de identificar possibilidades de ampliação da cooperação entre Japão e Brasil.

Indústria capixaba pode entrar no radar

Para o consultor empresarial Durval Vieira de Freitas, o Espírito Santo apresenta características que podem despertar o interesse de empresas japonesas. Ele lembra a participação histórica da japonesa Kawasaki Steel na construção do Complexo de Tubarão, da Vale.

Entre as possibilidades futuras está o interesse de companhias japonesas e de outros mercados asiáticos em projetos ligados à indústria capixaba. Um dos empreendimentos citados é o Laminador de Tiras a Frio (LTF) da ArcelorMittal Tubarão, que integra os planos de investimentos da siderúrgica.

A eventual chegada de novos investimentos estrangeiros poderia ampliar a atividade econômica, gerar oportunidades para empresas locais e fortalecer a posição do Espírito Santo nas cadeias industriais e logísticas voltadas ao mercado internacional.

Programa prevê investimentos na logística

O financiamento está vinculado ao Programa Eficiência Logística do Espírito Santo, aprovado pelo Senado em agosto de 2021. A operação prevê prazo de pagamento de 276 meses, o equivalente a 23 anos.

Coordenado pela Secretaria de Estado de Planejamento, o programa foi estruturado para reduzir custos de transporte, melhorar a integração entre diferentes regiões e aumentar a segurança nas rodovias estaduais.

Os recursos serão utilizados em intervenções em trechos da malha rodoviária que apresentam problemas de conservação. A melhoria da infraestrutura deve ter reflexos não apenas na mobilidade, mas também na atividade econômica das regiões atendidas.

Segundo a proposta do programa, as obras podem gerar empregos no curto prazo, especialmente nos setores de engenharia e consultoria. Os impactos também podem alcançar áreas rurais e urbanas, tanto pela contratação direta de trabalhadores quanto pelo aumento da movimentação econômica.

A recuperação e melhoria das rodovias também tende a beneficiar empresas instaladas nas áreas de influência dos trechos contemplados. Com acessos mais eficientes, indústrias e estabelecimentos comerciais podem reduzir dificuldades no recebimento de matérias-primas e no transporte de mercadorias.

A expectativa é que uma logística mais eficiente facilite o escoamento da produção e permita que empresas capixabas tenham melhores condições para acessar mercados consumidores, com potencial de redução de custos e aumento da competitividade.

Além dos efeitos diretos das obras, a garantia japonesa sobre o financiamento coloca o Espírito Santo em uma posição estratégica para estreitar relações econômicas com o Japão e, eventualmente, atrair novos negócios e investimentos asiáticos para o Estado.