Vitória vai instalar câmeras no Parque Pedra da Cebola após denúncias de abandono de gatos

Vitória vai instalar câmeras no Parque Pedra da Cebola após denúncias de abandono de gatos

Equipamentos já foram licitados e devem reforçar o monitoramento do espaço, que abriga uma colônia de cerca de 130 gatos

A Prefeitura de Vitória vai instalar câmeras de monitoramento no Parque Pedra da Cebola após denúncias de abandono e relatos de maus-tratos contra animais que vivem no local. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), o processo de licitação para contratação dos equipamentos já foi concluído e a instalação foi solicitada.

A medida ganhou destaque após vídeos publicados nas redes sociais relatarem casos de abandono de gatos e questionamentos sobre as condições dos animais no parque. Também circularam imagens relacionadas à morte de dois gansos que viviam no local.

De acordo com Ilka Westermeyer, responsável pela ONG Gatinhos Pedra da Cebola, a ausência de câmeras é uma reivindicação antiga dos voluntários. Segundo ela, os equipamentos poderiam facilitar a identificação de pessoas que deixam animais no parque, especialmente na região do estacionamento.

A entidade estima que aproximadamente 130 gatos vivam atualmente no espaço. A população já teria ultrapassado 200 animais antes das ações de castração e adoção realizadas por voluntários ao longo dos últimos anos. Segundo a ONG, cerca de 80 gatos foram abandonados no parque em 2025 e outros 65 casos foram registrados até agosto de 2026.

O grupo atua desde 2018 no acompanhamento da colônia, com ações de captura, castração, encaminhamento para adoção e manutenção de pontos de alimentação. A Semmam informa que a presença dos gatos no parque é registrada desde 2012 e está principalmente relacionada ao abandono de animais.

A secretaria esclarece, no entanto, que a Prefeitura de Vitória não mantém uma equipe contratada especificamente para cuidar dos gatos. O atendimento aos animais conta com a participação de voluntários e organizações de proteção animal.

Outro ponto que gerou questionamentos foi a alimentação dos gatos por funcionários terceirizados que trabalham na vigilância do parque. Segundo a ONG, alguns profissionais colaboravam com a distribuição de água e ração deixadas pelos voluntários, mas essa prática teria sido interrompida recentemente.

A Semmam afirma que não existe nenhuma determinação da Prefeitura de Vitória ou da administração do parque proibindo voluntários de alimentar os animais. A pasta explica que os serviços de vigilância, limpeza e jardinagem são executados por empresas terceirizadas e que os funcionários devem cumprir as atribuições previstas em contrato, que não incluem alimentar gatos ou cuidar dos recipientes de água e ração.

Para a representante da ONG, porém, a mudança aumentou a dificuldade para manter a alimentação diária dos animais, principalmente diante do número reduzido de voluntários e da quantidade de gatos que precisam ser atendidos.

Prefeitura fará reunião com voluntários

Diante das reclamações, o secretário municipal de Meio Ambiente, André Có, deverá se reunir na próxima semana com representantes dos voluntários que atuam no Parque Pedra da Cebola. A intenção é ouvir as demandas, esclarecer os pontos levantados e discutir alternativas para organizar os cuidados com a colônia de gatos.

A prefeitura também informou que a castração dos animais conta com apoio do programa Bem-Estar Animal. Segundo a ONG, o procedimento para gatos abandonados tem sido realizado por meio do programa municipal, que permite o encaminhamento dos animais para atendimento veterinário sem custos.

Prefeitura contesta relação entre morte de gansos e lama

As denúncias também envolveram a morte de dois gansos que viviam no parque. Vídeos publicados nas redes sociais levantaram a possibilidade de que as condições do lago, incluindo a presença de lama, tivessem relação com os óbitos.

A Semmam, porém, afirma que os animais morreram após uma disputa por fêmeas. Um dos gansos chegou a ser resgatado e encaminhado para tratamento por meio do serviço contratado pelo município, mas não resistiu aos ferimentos.

A secretaria também informou que não foram identificados elementos que relacionem a morte dos animais à lama ou à limpeza do lago.

A manutenção dos lagos havia sido programada anteriormente, mas precisou ser adiada em razão das chuvas, que elevaram o volume de água e deixaram o solo encharcado. O serviço foi reagendado para a manhã de segunda-feira (24), período em que o parque permaneceu fechado ao público.

Com aproximadamente 100 mil metros quadrados, o Parque Pedra da Cebola recebe cerca de 3 mil visitantes por semana, segundo a prefeitura. O espaço possui áreas de convivência, trilhas, lagos e equipamentos de lazer, além de serviços de limpeza, conservação e acompanhamento da fauna.

A instalação das câmeras deve ampliar o monitoramento e a segurança no parque. Para os voluntários que acompanham os animais, a expectativa é que os equipamentos também contribuam para coibir novos casos de abandono e facilitar a identificação de responsáveis.