Falta de mão de obra qualificada vira principal desafio da construção civil no ES
Setor registra melhora na percepção sobre as finanças, mas dificuldade para contratar e reter profissionais preocupa empresas
A construção civil do Espírito Santo enfrenta um cenário de contrastes. Enquanto os empresários demonstram maior satisfação com a situação financeira das empresas, a falta de trabalhadores qualificados se consolida como o principal desafio para o setor. O problema já começa a afetar a rotina dos canteiros de obras, com impactos sobre a rotatividade, o absenteísmo e a produtividade.
Os dados são da Sondagem da Indústria da Construção referente ao segundo trimestre de 2026. No período, o índice de satisfação com a situação financeira avançou 7,9 pontos e voltou a ultrapassar a marca de 50 pontos, considerada a linha que separa a percepção de insatisfação da satisfação dos empresários.
Outro indicador que apresentou melhora foi o relacionado à margem de lucro operacional. A alta foi de 6,7 pontos, mas o índice chegou a 46,4 pontos e permaneceu abaixo da linha de 50, mostrando que as empresas ainda demonstram insatisfação com as margens obtidas.
O acesso ao crédito também teve desempenho positivo, com crescimento de 2,4 pontos, alcançando 45,4 pontos. Apesar dos avanços, a dificuldade para encontrar profissionais preparados permanece como um dos principais entraves para o crescimento do setor.
Para Fabiano Martins, diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES) e gerente comercial da Épura Construtora, o mercado imobiliário capixaba tem demonstrado capacidade de resistência mesmo diante de fatores como os juros elevados e a diferença entre o aumento dos preços dos imóveis e a evolução da renda da população.
Segundo ele, o Espírito Santo apresenta desempenho superior à média nacional nos principais indicadores do segmento, resultado atribuído tanto ao comportamento da economia local quanto às estratégias adotadas pelas empresas.
Esse desempenho, porém, também aumenta a pressão sobre o mercado de trabalho. A expansão das atividades amplia a necessidade de profissionais especializados, enquanto a oferta de trabalhadores qualificados não acompanha o ritmo da demanda.
Martins afirma que os efeitos já podem ser percebidos nos canteiros de obras, principalmente pelo aumento da rotatividade e do número de faltas. As construtoras precisam buscar alternativas para impedir que essas dificuldades comprometam a produtividade e os prazos dos empreendimentos.
Na avaliação do advogado Guilherme Machado, o desafio trabalhista vai além de encontrar profissionais qualificados. As empresas também enfrentam dificuldades para contratar, capacitar e manter esses trabalhadores, em um ambiente marcado por custos elevados e insegurança jurídica.
A combinação entre mercado imobiliário aquecido e escassez de profissionais especializados coloca a qualificação da mão de obra entre os pontos que exigem maior atenção do setor. Para as empresas, ampliar a formação e criar condições para a permanência dos trabalhadores se torna estratégico para acompanhar o ritmo dos investimentos e evitar perdas de produtividade.

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