Escalando o seu time: talento, comportamento ou estratégia?
Por Vanessa Freitas – Liderança em Foco | Portal Foco no ES
Como brasileiros, existe um momento que sempre nos mobiliza: a escalação da seleção brasileira. A expectativa cresce, as opiniões se dividem e, inevitavelmente, surgem concordâncias e discordâncias sobre as escolhas do técnico. Sempre há quem questione quem ficou de fora, quem não deveria ter sido convocado ou quem merecia mais espaço. E é justamente a partir dessa cena tão familiar que eu quero te convidar para uma reflexão: o que faz um técnico escalar um jogador? É o talento, a experiência, o momento ou aquilo que o jogador consegue entregar dentro do coletivo?
Essa dinâmica não acontece apenas no futebol, ela se repete todos os dias, dentro das empresas. Líderes estão constantemente “escalando” seus times, tomando decisões sobre quem assume quais posições, quem tem mais espaço, quem está preparado para determinados desafios. Em alguns casos, priorizam apenas a habilidade técnica; em outros, valorizam mais a experiência ou o comportamento. Mas, na prática, um time de alta performance não se constrói a partir de um único critério, e sim da capacidade do líder de equilibrar esses elementos de forma estratégica.
Ao longo da minha atuação, já acompanhei profissionais extremamente técnicos que tinham dificuldade de trabalhar em equipe, assim como profissionais com excelente postura comportamental, mas com limitações na entrega. Também já vi talentos experientes que não conseguiam mais acompanhar a velocidade de adaptação exigida pelo cenário atual. Esses exemplos mostram que escalar um time não é escolher os melhores individualmente, mas montar um conjunto que funcione de forma integrada, onde cada peça contribui para o resultado coletivo. É exatamente nesse ponto que a liderança precisa amadurecer seu olhar e sair da lógica simplista de avaliação.
Quando utilizo ferramentas como o DISC nos processos de desenvolvimento, passo a compreender com mais profundidade como cada profissional se comporta, toma decisões, se comunica e reage sob pressão. Perfis mais dominantes tendem a ser rápidos e orientados a resultado, mas podem gerar atritos se não houver equilíbrio. Perfis influentes trazem energia, conexão e engajamento, sendo fundamentais especialmente em áreas comerciais e de atendimento. Já os perfis de estabilidade sustentam o time com consistência e confiabilidade, enquanto os perfis de conformidade garantem qualidade, análise e organização. Nenhum perfil é melhor que o outro, o que realmente faz a diferença é a forma como o líder combina essas características dentro do time, entendendo que um grupo formado apenas por perfis semelhantes dificilmente sustentará performance no longo prazo.
No entanto, existe uma camada dessa conversa que muitos líderes ainda negligenciam. No futebol, não é apenas o técnico que escolhe quem entra em campo; o jogador também escolhe em qual time quer jogar. Quando trago isso para o ambiente corporativo, fica evidente que os profissionais de hoje analisam com muito mais critério onde desejam investir sua energia. Eles observam a cultura da empresa, avaliam se existe um plano de carreira estruturado, percebem se o ambiente favorece o desenvolvimento e, principalmente, se aquele contexto faz sentido para o que desejam construir em suas trajetórias.
Portanto, não basta escalar bem, é preciso construir um time que queira permanecer. Empresas que não oferecem um ambiente minimamente estruturado, com clareza de crescimento e espaço para desenvolvimento, até conseguem contratar, mas enfrentam dificuldades em engajar e reter talentos. E isso impacta diretamente os resultados, porque performance sustentável se constrói com boas escolhas individuais e também com um contexto que sustenta essas escolhas ao longo do tempo.
Quando conecto essa reflexão com o que venho observando nas organizações, fica claro que escalar um time é uma decisão estratégica que exige leitura de cenário, entendimento de pessoas e intencionalidade na construção do ambiente. Não se trata apenas de preencher posições, mas de formar um time que funcione, evolua e queira jogar junto. Talvez, então, a pergunta mais relevante para você, como líder, não seja apenas quem você colocaria em campo, mas se o seu time foi realmente construído para jogar em conjunto ou apenas para ocupar espaço na empresa.
Com clima de Copa do Mundo,
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
Entre em contato para saber mais sobre o assunto.
@avalonconsultoria
@vanessafreitas.mentora
Contato: [email protected]

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.



