Novos tratamentos contra câncer ampliam esperança para pacientes com diferentes tumores

Novos tratamentos contra câncer ampliam esperança para pacientes com diferentes tumores

Avanços apresentados por especialistas apontam novas terapias para câncer de mama, pâncreas, ovário, endométrio e próstata

Novas estratégias de tratamento contra o câncer estão ampliando as possibilidades de controle da doença e trazendo novas perspectivas para pacientes. Avanços recentes em terapias direcionadas, imunoterapia e medicamentos inovadores foram apresentados durante o Fronteiras da Oncologia 2026, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), realizado em várias cidades brasileiras, incluindo Vitória.

Considerado um dos principais desafios da medicina, o câncer continua entre as doenças que mais causam mortes no Brasil. No entanto, pesquisas científicas têm permitido o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados, com foco nas características genéticas de cada tumor.

Entre os destaques está o avanço no tratamento do câncer de mama. A oncologista Virgínia Sessa apresentou resultados promissores do Inavolisib, uma terapia direcionada para pacientes com tumores luminais resistentes ao tratamento hormonal e que apresentam mutação no gene PI3K.

O medicamento, que ainda não está disponível comercialmente no Brasil, já é aprovado nos Estados Unidos e vem sendo utilizado no país por meio de estudos clínicos em centros de pesquisa. A terapia oral atua diretamente em alterações específicas do tumor e tem mostrado benefícios no controle da doença.

Outro avanço no câncer de mama envolve o Trastuzumabe Deruxtecana, uma tecnologia que combina ação de medicamento quimioterápico e imunoterapia. Estudos recentes apontam aumento no tempo de controle da doença em pacientes com tumores HER2 positivos.

Na área dos tumores mais agressivos, o câncer de pâncreas também ganhou destaque. O oncologista Glaucio Bertollo explicou que uma nova terapia experimental, chamada Daraxonrasib, apresentou resultados animadores em pacientes com doença metastática.

O medicamento atua como uma terapia-alvo, bloqueando uma proteína ligada ao crescimento tumoral. Estudos indicaram redução significativa do risco de morte em pacientes tratados com a nova abordagem.

Os cânceres ginecológicos também tiveram avanços importantes. Segundo especialistas, a imunoterapia trouxe novas perspectivas para pacientes com câncer de endométrio, principalmente aquelas com alterações específicas relacionadas ao reparo do DNA.

Em alguns grupos de pacientes, mesmo em casos avançados ou metastáticos, o tratamento pode levar a respostas duradouras e aumentar as chances de controle da doença.

No câncer de ovário, pesquisadores estudam novas opções terapêuticas, como o Relacorilant, que ainda não está disponível no mercado. A imunoterapia também ganhou espaço após estudos identificarem pacientes com maior potencial de benefício, especialmente aquelas com expressão de PD-L1.

Já no câncer de próstata, os avanços envolvem principalmente os inibidores de PARP e novas combinações com tratamentos hormonais. Essas estratégias têm apresentado resultados melhores para pacientes com doença avançada e também para alguns casos localizados de maior risco.

Os especialistas destacam que o futuro do tratamento oncológico passa cada vez mais pela personalização das terapias, utilizando características específicas dos tumores para escolher as opções mais eficazes para cada paciente.