A presença que transforma a liderança
Artigo nº37
Nesta semana quero compartilhar algo que me marcou. Recebi uma demanda recente de um gestor de uma grande corporação e confesso que foi um tanto inusitada. Enquanto a maioria das empresas me procuram para formar líderes de alta performance, com foco em metas, produtividade e resultados, dessa vez o pedido foi diferente. Criar uma experiência vivencial para a sua equipe, mas nada de técnicas e estratégias prontas, nada de acelerar ainda mais o ritmo. O que ele queria era justamente o oposto: um momento para que seus líderes pudessem parar, desacelerar e observar. Um convite para que eles utilizassem os sentidos de forma mais consciente, para perceber o que não é dito, para captar as sutilezas escondidas nos gestos, nos olhares e até mesmo nos silêncios.
Essa proposta me fez refletir muito, pois quando falamos sobre uma liderança sensível, logo associamos a algo distante, frágil, quase romântico, como “abraçar árvores” ou viver uma espiritualidade desconectada do dia a dia da gestão. Mas não era nada disso que aquele gestor queria. O que ele buscava era algo extremamente prático: líderes que realmente percebam as necessidades de suas equipes, que estejam presentes de corpo e mente, que consigam olhar e enxergar além das planilhas, além dos relatórios, além dos números e além das paredes.
Estar plenamente no lugar e viver o momento. Parece simples, mas exige coragem para silenciar por alguns instantes, para se permitir escutar mais, para não se prender apenas às metas, mas ao impacto que geramos nas pessoas enquanto buscamos esses resultados. Porque no fim, são as pessoas que sustentam qualquer entrega.
Essa experiência me lembrou que liderar é, antes de tudo, um exercício de presença. Quando um líder se coloca inteiro diante da equipe, ele não apenas conduz, ele inspira e cria um ambiente em que todos se sentem vistos, ouvidos e respeitados. E talvez seja esse o maior chamado para os líderes de hoje: equilibrar performance com sensibilidade. Não a sensibilidade fragilizada, mas aquela que se traduz em atenção, escuta e presença genuína e fortalece os resultados de forma genuína.
E você, que está lendo agora, já experimentou liderar a partir desse lugar de presença?
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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