Vagas no petróleo no ES chamam atenção por salários que chegam a R$ 40 mil
O Espírito Santo está no radar para integrar a rota global do descomissionamento offshore, indústria responsável pela desativação, montagem e reciclagem de plataformas de petróleo, e as oportunidades que serão criadas para atuar nesse setor têm salários que chegam a R$ 40 mil.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Paulo Baraona, a atividade deve criar mais de 5 mil empregos diretos e indiretos no Estado nos próximos anos.
Isso ocorre porque há uma série de estruturas da Petrobras em alto-mar que precisam ser retiradas nos próximos anos.
Conforme explica o economista Eduardo Araújo, plataformas de petróleo têm vida útil média de 25 anos.
Quando essa produção deixa de ser economicamente viável, a operadora é obrigada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a desativar a estrutura, tamponar os poços, desmontar os equipamentos e recuperar a área, o que é chamado de descomissionamento.
“Não é simplesmente tirar a plataforma do mar. É um processo industrial complexo, que cria demanda por serviços industriais diversificados: corte e movimentação de estruturas metálicas, logística portuária, gestão de resíduos, reaproveitamento de equipamentos como compressores, bombas e tubulações”, conta.
O descomissionamento demanda perfis variados de profissionais, existindo espaço tanto para engenheiros e gestores de projetos, quanto para soldadores, caldeireiros e técnicos de certificação, segundo Araújo. “É um mercado que paga bem, mas exige qualificação específica”.
A reportagem teve acesso ao quadro de funções e salários de uma empresa do segmento no Estado. Nela, o maior salário era de gerente de engenharia, que chegava a R$ 28 mil, e o menor, de ajudante industrial, de R$ 2.102,98.
Porém, segundo a economista e membro do Ibef-ES, Adriana Rigoni, há casos em que as remunerações podem ser ainda maiores e atingirem até R$ 40 mil. Ela explica que o salário de R$ 28 mil não é o teto da área, mas sim uma faixa intermediária-alta para cargos de gestão e especialistas sêniores.
“Em funções de alta complexidade, como gerência de engenharia subsea ou especialistas em integridade estrutural, ou mesmo consultores jurídicos regulatórios, as remunerações podem facilmente chegar a R$ 40 mil, até mesmo passando desse valor. Se pegarmos a média salarial da cadeia produtiva do setor, ela está em torno de R$ 9.200, o que é elevado quando comparado a outros setores”, afirma.
Entenda
O que é o descomissionamento?
Plataforma “aposentada”
Esse tipo de decisão envolve análise científica e regulatória. | Foto: Divulgação
Em termos simples, trata-se da “aposentadoria” de uma plataforma de petróleo. Durante décadas, essas estruturas podem operar extraindo hidrocarbonetos do subsolo marinho. Quando a produção diminui a níveis que não justificam mais os custos de operação, inicia-se um processo planejado para desmontar ou adaptar a estrutura de maneira segura.
Destino das estruturas
Algumas estruturas são levadas para terra para reciclagem de materiais, como aço e ligas metálicas.
Em outros casos, partes da estrutura podem ser convertidas em recifes artificiais, servindo de habitat para espécies marinhas.
Esse tipo de decisão envolve análise científica e regulatória, já que o objetivo é garantir que a solução escolhida represente o menor risco ambiental possível.
Etapas
Essa desmontagem ou adaptação de plataformas de petróleo costuma envolver várias etapas complexas e altamente reguladas.
A primeira é o planejamento, que inclui estudos técnicos, avaliação de impactos ambientais e aprovação por órgãos reguladores.
Em seguida, ocorre o tamponamento dos poços, etapa fundamental para impedir vazamentos futuros de petróleo ou gás.
Depois disso, os equipamentos de produção — como tubulações e válvulas — são desligados, limpos e removidos.
Dependendo do projeto e da legislação local, a plataforma pode ser totalmente retirada do local ou parcialmente removida, deixando parte da estrutura no fundo do mar.
Exemplo de salários em empresa do setor no Estado
Função — Salário
Gerente geral de obra — R$ 28.905,84
Gerente de engenharia — R$ 28.905,84
Gerente administrativo — R$ 17.029,41
Engenheiro de meio ambiente — R$ 17.029,41
Engenheiro mecânico — R$ 17.029,41
Engenheiro de planejamento — R$ 17.029,41
Engenheiro de segurança do trabalho — R$ 17.029,41
Médico do trabalho — R$ 15.282,16
Administrador — R$ 9.850,93
Supervisor técnico de mecânica — R$ 9.477,88
Supervisor técnico de elétrica — R$ 9.477,88
Projetista — R$ 9.477,88
Psicólogo — R$ 8.655,40
Técnico de planejamento — R$ 6.850,93
Técnico em documentação — R$ 6.850,93
Técnico eletricista — R$ 6.850,93
Técnico em construção civil — R$ 6.850,93
Técnico mecânico — R$ 6.850,93
Técnico de meio ambiente — R$ 6.850,93
Técnico de planejamento — R$ 6.850,93
Técnico em segurança — R$ 6.850,93
Comprador — R$ 6.850,93
Almoxarife — R$ 6.444,40
Analista de suporte técnico — R$ 6.444,40
Secretária — R$ 6.144,40
Técnico de enfermagem — R$ 5.971,15
Enfermeiro do trabalho — R$ 5.971,15
Operador de equipamento pesado — R$ 5.337,72
Soldador — R$ 4.946,63
Ferramenteiro — R$ 4.946,63
Supervisor de rigging — R$ 4.830,16
Operador de equipamento médio — R$ 4.830,16
Motorista de veículos pesados — R$ 4.830,16
Maçariqueiro — R$ 4.378,88
Encarregado de serviços gerais — R$ 4.378,88
Encanador industrial — R$ 4.378,88
Eletricista de manutenção rede — R$ 4.378,88
Eletricista de manutenção fase — R$ 4.378,88
Motorista de veículos leves — R$ 3.756,02
Assistente administrativo — R$ 3.557,09
Pintor industrial — R$ 3.408,28
Jatista — R$ 3.408,28
Montador de andaimes — R$ 3.147,34
Esmerilhador — R$ 2.712,98
Lubrificador — R$ 2.712,98
Vigia — R$ 2.712,98
Ajudante administrativo — R$ 2.102,98
Ajudante industrial — R$ 2.102,98
Fonte : Tribuna online

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.




