Quando tudo vira desempenho, a identidade se fragiliza.
O sociólogo Richard Sennett alerta: “quando tudo é desempenho, a identidade se torna frágil”.
Amar o trabalho é potência, mas depender dele para te definir é risco.
Vivemos um tempo em que o valor das pessoas é medido por entregas, metas, resultados e indicadores. O currículo fala mais alto que história, a performance ocupa o centro da cena e muitas vezes, o ser humano fica nos bastidores.
Não há nada de errado em amar o trabalho, pelo contrário, o trabalho pode ser fonte de propósito, construção de identidade, pertencimento e contribuição social. Ele nos organiza, nos desafia e nos permite deixar marcas no mundo, o problema começa quando ele se torna o único lugar possível de reconhecimento, validação e existência.
Quando tudo vira desempenho, qualquer queda vira ameaça, toda pausa vira culpa e quando chegamos no limite enxegamos como fracasso, e é nesse ponto que a identidade começa a se fragilizar, pois em muitos ambientes corporativos, o profissional é incentivado a ser incansável, resiliente o tempo todo, sempre disponível e produtivo. O discurso é motivador, mas o custo é alto quando não há espaço para humanidade.
A identidade passa a se confundir com o cargo, o valor pessoal se mistura com o crachá, a autoestima oscila conforme o desempenho do mês. E basta uma mudança de cenário (uma demissão, uma reestruturação, um adoecimento, uma falha ) para que tudo desmorone. Não porque a pessoa deixou de ser competente, mas porque construiu sua identidade em um terreno instável demais
Para líderes e gestores, essa reflexão é ainda mais urgente porque a cultura que se constrói dentro das empresas influencia diretamente como as pessoas se veem, se sentem e se posicionam no mundo e ambientes que reconhecem apenas resultados tendem a gerar profissionais exaustos, ansiosos e desconectados de si. Já culturas que valorizam processos, relações, aprendizado e limites saudáveis constroem algo mais sustentável: pessoas inteiras, e não apenas performáticas.
O trabalho é uma dimensão importante da vida, mas não pode ser a única. Quando ele ocupa todo o espaço, a identidade fica vulnerável demais às instabilidades do mercado, da economia e das organizações.
Fortalecer a identidade é ampliar repertórios:
- quem sou eu além do que faço?
- o que me sustenta quando o resultado não vem?
- quais valores permanecem mesmo quando o cargo muda?
Responder a essas perguntas é um ato de maturidade pessoal e também de inteligência organizacional, porque, no fim, empresas saudáveis são feitas de pessoas que performam bem sem precisar deixar a própria essência do lado de fora. E talvez um dos desafios da liderança contemporânea seja esse: gerar resultados sem fragilizar identidades.
Com mais presença e identidade,
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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