Quando a eficácia cobra caro demais: o custo invisível das demissões silenciosas
Artigo nº41
Em uma sessão de fedback um colaborador me relatou o seguinte sobre seu gestor: “É um gestor de alto nível, realmente muito inteligente e muito eficaz; mas paga pouco e exige a alma do funcionário.” Acrescentou ainda que outros três profisisonais que trabalharam diretamente com esse gestor, mesmo competentes, engajados, cheios de potencial, saíram com ansiedade, insônia e uma sensação amarga de inadequação. Nenhuma delas pediu demissão. Elas foram se desligando aos poucos, emocionalmente, até o dia em que o corpo e a mente não aguentaram mais.
Esse é o retrato silencioso que tem se repetido em muitas empresas: lideranças de alta performance, mas de baixo cuidado. Chefes que dominam processos, mas desconhecem pessoas. Que sabem analisar planilhas, mas não percebem os sinais de esgotamento de quem entrega os resultados que sustentam a operação.
Nos bastidores corporativos, chamamos isso de demissão silenciosa , que acontece quando o colaborador deixa de se engajar emocionalmente, cumpre apenas o mínimo necessário e começa a se desconectar do propósito. Às vezes, ele ainda está fisicamente presente, mas já não acredita, não confia e não se sente visto.
E o mais curioso é que essas “demissões silenciosas” não são causadas pela falta de talento, mas pela falta de espaço para expressar e desenvolver talentos e habilidades. Líderes que exigem entrega total sem oferecer escuta, que cobram inovação sem permitir o erro, e que falam de produtividade sem falar de saúde, acabam cultivando o oposto do que desejam: ambientes onde o medo substitui a motivação e onde as pessoas passam a trabalhar apenas para não serem punidas.
A eficácia, quando distanciada da empatia, cobra caro. Para além dos custos financeiros envolvidos, há o adoecimento das equipes, o aumento do turnover e a perda de talentos que poderiam ter florescido, se tivessem encontrado um solo fértil para crescer.
Como mentora de líderes, sempre oriento a refletir: “Será que você está um espaço onde as pessoas queiram permanecer ou apenas um lugar onde elas sintam que precisam resistir?”.
A liderança que as empresas capixabas precisam cultivar não é a que esgota, mas a que equilibra exigência e acima de tudo o respeito. É a que entende que resultados sustentáveis nascem de pessoas emocionalmente seguras e mentalmente saudáveis. Ser eficaz continua sendo importante, mas ser humano é indispensável.
Porque, no fim das contas, nenhuma meta compensa quando a alma da equipe é o preço a ser pago.
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Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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