O que os desfiles das escolas de samba nos ensinam sobre gestão, estratégia e liderança
Por Vanessa Freitas
O Carnaval começa em Vitória e ano após ano os desfiles das escolas de samba capixabas têm ganhado mais atenção da mídia nacional, maior adesão do público e reconhecimento pela qualidade técnica e artística apresentada na avenida. Gostando ou não de Carnaval, o fato é que existe ali um verdadeiro laboratório de gestão, liderança e execução estratégica.
Em poucas horas, vemos projetos complexos ganharem vida diante de milhares de pessoas e sob o olhar criterioso de jurados especializados. Contar uma história em aproximadamente uma hora exige muito mais do que brilho e emoção, exige método. Diferente de muitos projetos corporativos, o desfile não pode ser adiado, o prazo é fixo, público e inegociável e quando o relógio marca o início do desfile no Sambão do Povo, tudo precisa estar pronto.
Isso ensina uma lição essencial sobre gestão de projetos: planejamento não é opcional. O cronograma precisa ser realista, os riscos mapeados, os recursos bem distribuídos e os planos de contingência testados antes do grande dia e vale ressaltar que improvisar na avenida custa pontos assim como improvisar nas empresas.
Uma escola de samba reúne centenas, às vezes milhares de pessoas, com perfis, funções e níveis de especialização distintos. Há quem escreva o enredo, quem desenhe fantasias, quem construa alegorias, quem componha o samba, quem coreografe, quem costure, quem organize a logística e quem desfile e nenhuma dessas funções se sustenta sozinha. O resultado depende da integração entre áreas, da clareza de papéis e da liderança capaz de alinhar todos em torno de um propósito comum a ser entregue em um ano.
Esse é um retrato fiel do desafio das organizações atuais: equipes multidisciplinares, interdependentes e pressionadas por resultados, que precisam operar com colaboração real, não apenas no discurso e ao contrário do que muitos imaginam, o desfile não nasce do improviso criativo, mas dos processos bem definidos. O enredo orienta a narrativa, que orienta as fantasias, as alegorias, o samba-enredo e a evolução da escola na avenida e quando um elemento não se conecta ao todo, o jurado percebe e certeza que compromete a nota final.
Nas empresas, acontece o mesmo: estratégias desconectadas da operação, discursos desalinhados da prática e decisões que não se sustentam nos processos internos comprometem o resultado final, mesmo quando há talento envolvido, ou seja, criatividade sem processo vira caos e processo sem criatividade vira estagnação.
Pouco se fala, mas o Carnaval é também um exercício rigoroso de gestão financeira. Orçamento limitado, necessidade de priorização, negociação com fornecedores, controle de custos e tomada de decisão sob pressão fazem parte da rotina das escolas e cada escolha financeira impacta diretamente a entrega final. Uma alegoria a menos, um material substituído, uma fantasia simplificada. Tudo precisa ser decidido com visão estratégica e responsabilidade. É uma aula prática de como recursos mal alocados comprometem projetos inteiros, por mais apaixonadas que sejam as equipes envolvidas.
Talvez a maior lição dos desfiles esteja na liderança. Sustentar uma narrativa coerente do início ao fim exige líderes que comuniquem com clareza, inspirem confiança, tomem decisões difíceis e mantenham o time engajado mesmo diante de cansaço, críticas e imprevistos. Na avenida, não basta começar bem, é preciso terminar com consistência. Nas organizações, o desafio é o mesmo, estratégias precisam ser sustentadas ao longo do tempo pois cultura não se constrói em discursos isolados, os resultados vêm da coerência entre intenção, ação e entrega.
O desfile das escolas de samba é emoção, arte e cultura. Mas é também gestão, liderança, processos e estratégia em movimento. Talvez por isso encante tanto, no fundo, ele revela algo que toda empresa busca: pessoas diferentes, alinhadas por um propósito comum, entregando uma história capaz de convencer, emocionar e gerar resultado.
Com alegria e estratégia,
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.



