Novos hábitos mudam a rotina da vida noturna

Novos hábitos mudam a rotina da vida noturna

A busca por bem-estar, saúde e experiências mais equilibradas tem alterando o ritmo e o formato da vida noturna.

No lugar de madrugadas em claro, muitas pessoas têm optado por encontros mais cedo e um consumo mais consciente – o que provocou mudanças em horários de funcionamento de alguns estabelecimentos e de festas, além de alterações em cardápios.

O presidente Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares), Rodrigo Vervloet, afirmou que há uma mudança natural na forma de consumo e com relação a horários.

“Percebemos que as pessoas têm preferido sair mais cedo para voltar para casa mais cedo. Eles terminam a noite por volta de uma hora ou, no máximo, às duas horas. Antigamente, uma parcela maior virava a noite, mas tem diminuído”.

Ele atribui essa redução a uma mudança de hábito cultural. “Pode ser que, no futuro, isso mude novamente, já que é algo cíclico”.

O produtor e empresário Ramon Freitas afirma que não dá para negar que a rotina do capixaba mudou. “Hoje, Vitória é vista como uma capital saúde, priorizando o lifestyle da vida saudável. As famosas noitadas – aquelas festas que você chegava à noite e ia embora já de manhã – de fato vêm perdendo espaço”.

Para ele, alguns dos novos hábitos do entretenimento são ambientes mais leves, com música ao vivo, valorizando o clima espontâneo e, principalmente, o horário que se encaixa nessa nova rotina.

“Após 13 anos de profissão e produção de casa de show também mudei minha rotina e meus horários. Minha escolha foi priorizar e valorizar essa tendência de clima de barzinho com música ao vivo”.

Victor Medeiros, sócio do quiosque Encontro da Ilha e um dos responsáveis pelo pagode do Mãe Joana, revelou que a turma tem aceitado horários mais curtos.

“Nosso pagode se encerra às 23h. Antes havia resistência do público e o famoso ‘eu não vou embora’. De uns anos para cá isso foi acabando”.

Ele ressaltou, no entanto, que a faixa etária influencia. “Quando temos menos de 30 a disposição para festas e álcool é outra! Então, definitivamente, a turma ‘inimigos do fim’ costuma ser na faixa dos 20”

Para a diretora comercial Nina Giaretta, 52, a gerente de RH Bruna Borel Mendes, 42, e a analista de RH Bruna Amaral, 30, a época de virar a noite em festas ficou para trás.

Hoje, elas preferem estar em casa cedo, até porque têm uma rotina intensa durante a semana. Nina, por exemplo, não abre mão da prática de exercícios, que inclui corrida, pedal e jogos de tênis.

O sócio-produtor do Seu Joaquim Bar, na Praia do Canto, Felipe Berger revelou que realmente há uma procura maior das pessoas por terminar a noite mais cedo.

Rotina com atividade física e bom sono
Para o vendedor Felipe Grillo, 36, e para a servidora pública Marjorie Carvalho, 28, as saídas à noite têm horário certo para terminar, principalmente durante a semana. “Não costumamos sair até a madrugada. Preferimos sair de casa e voltar cedo, pois temos uma rotina já estabelecida que é muito voltada para o dia”, contou Marjorie.

Ela acorda às 4h30 para treinar durante a semana e Felipe também pratica triathlon, o que exige uma rotina de atividade física ainda mais intensa. “Durante a semana, às 19h30 já estamos em casa. Aos fins de semana, até esticamos um pouco, mas nada até tão tarde”.

Com relação à alimentação e bebidas, ela revelou que eles também são regrados. “Bebida deixamos apenas para os fins de semana. Mas, mesmo assim, beber muito tem se tornado cada vez mais raro”.

As noitadas até de manhã ficaram para trás e hoje preferem opções de lazer sem excessos e exageros.

Amigas e colegas de trabalho, a empresária Yasminy Firmino, 30, a assistente administrativo Verônica Brum, 32, e a gerente de projetos Luisa Miocque, de 26, preferem terminar a noite mais cedo.

Elas contaram que as noitadas até de manhã ficaram para trás e hoje preferem opções de lazer sem excessos e exageros. Todas praticam algum tipo de atividade física e procuram ter horas de sono suficientes.

“Eu ainda saio até mais tarde, mas uma vez a cada dois meses. Em geral, eu ainda prefiro estar em casa mais cedo”, contou Luisa.

Foto: Leone Iglesias/at

Fonte: TribunaOnline