Mais de 1 milhão de pessoas sofrem com alergias que pioram no verão

Mais de 1 milhão de pessoas sofrem com alergias que pioram no verão

Para mais de 1,2 milhão de moradores do Espírito Santo – número calculado com base nas Estimativas da População 2025, do IBGE –, o verão vai muito além de sol, praia e diversão.

A estação mais quente do ano marca também o aumento de crises alérgicas, impulsionadas por fatores como suor excessivo, poeira e maior circulação de insetos.

Sintomas como coceira, espirros e olhos lacrimejantes se intensificam nesse público, que corresponde a 30% da população com algum tipo de alergia, conforme estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

“O calor, a umidade e a maior exposição ao ambiente favorecem crises alérgicas, especialmente alergias de pele (como urticária e dermatite atópica), rinite alérgica, conjuntivite alérgica e alergias a insetos. O suor, o calor excessivo e a umidade podem irritar a pele e intensificar coceira e vermelhidão”, explica a alergista e imunologista Milena Pandolfi.

Além disso, o contato direto com cloro, praias, água do mar e exposição solar podem piorar as dermatites e as alergias da pele, destaca a alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini, professora do Unesc.

“É muito importante o uso do protetor solar. E não adianta passar uma única vez, tem que utilizar mais de uma vez. Saiu da piscina ou do mar, tem de secar o corpo e passar o protetor na sequência. E sempre buscar protetores que sejam adequados para a faixa etária. Não pode usar, por exemplo, um protetor que é específico para adulto numa criança”, explica a médica.

Em crianças, o recomendado, segundo Bruna, é a utilização do protetor solar mais neutro, sem cheiro, hipoalergênico, isento de parabenos e de materiais nocivos.

Há aumento também de casos de alergias alimentares, principalmente com frutos do mar, como camarão, segundo a Asbai.

“O fato de já ter ingerido camarão e nunca ter apresentado reação alérgica não significa que, em algum momento da vida, a pessoa não possa começar a ter alergia a esse alimento. Indivíduos com asma, rinite e dermatite atópica são um pouco mais predispostos do que a população geral”, alerta a associação.

Principais alergias

Dermatite

Aos três anos, a pequena Luna, hoje com 5, recebeu o diagnóstico de dermatite atópica.

Na época, sua mãe, a nutricionista Leandra Almeida, 35, procurou por uma especialista após perceber que a filha apresentava coceira no braço, especialmente no local das dobras, além de áreas como atrás dos joelhos e região do pescoço.

Hoje, como parte do tratamento, a família segue alguns cuidados, principalmente nos dias mais quentes.

“Procuramos manter a pele sempre bem hidratada, evitamos banhos quentes e demorados, optamos por roupas leves (de preferência de algodão) e tentamos reduzir o contato com o suor excessivo. Observo que esses cuidados fazem muita diferença no controle da coceira e no conforto dela”, afirma a mãe.

Rinossinusite alérgica

Muito comum no verão por causa da inflamação contínua das vias nasais. Provoca dor facial, secreção espessa, sensação de peso na cabeça e piora após exposição ao ar-condicionado ou ambientes fechados.

Alergia a picadas de insetos

Mosquitos, abelhas e formigas são mais ativas no calor. Em pessoas sensíveis, as picadas podem causar inchaço intenso, coceira, vermelhidão e, em casos graves, reações sistêmicas que exigem atendimento médico imediato.

Dermatite e urticária

O suor, o uso de protetores solares, cosméticos e contato com plantas ou água do mar e da piscina podem desencadear manchas, coceira e placas avermelhadas na pele.

Conjuntivite alérgica

O aumento dos alérgenos ambientais, como o vento, podem piorar a conjuntivite alérgica, causando olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento e sensibilidade à luz.

Asma alérgica

O ar quente e úmido, mudanças bruscas de temperatura e o uso intenso de ventiladores e ar-condicionado podem irritar as vias respiratórias. Isso leva a crises de falta de ar, chiado no peito e tosse, principalmente em crianças e idosos.

Alergia alimentar

O consumo maior de frutos do mar no calor aumenta o risco de reações alérgicas, que podem se manifestar com coceira, inchaço nos lábios, problemas gastrointestinais e até dificuldade para respirar.