“Guardião do Penedo”: pescador transforma preservação ambiental em missão de vida no ES

“Guardião do Penedo”: pescador transforma preservação ambiental em missão de vida no ES

O que para muitos é apenas um cartão-postal, para Agnaldo Moura virou propósito de vida. Aos 74 anos, o pescador aposentado dedica mais de cinco décadas à preservação do entorno do Morro do Penedo, na Baía de Vitória. Morando em uma pequena casa no local, ele se tornou referência na recuperação da vegetação nativa e na proteção das nascentes da área.

Natural de Colatina, Agnaldo chegou jovem à Grande Vitória em busca de trabalho. Sem estudo formal, aprendeu com o pai o ofício da pesca e passou a viver da atividade. Durante as pescarias, criou vínculo com a área do Penedo, onde acabou se estabelecendo definitivamente.

Ao longo dos anos, reflorestou trechos da Mata Atlântica, passou a cuidar das nascentes e assumiu, na prática, o papel de protetor do local. O trabalho voluntário ganhou reconhecimento institucional: em 1983, a área foi declarada patrimônio paisagístico natural do Espírito Santo e, em 2007, transformada em Unidade de Conservação no formato de Monumento Natural Morro do Penedo.

Mesmo com o reconhecimento oficial, o desafio segue diário. Segundo Agnaldo, mais de uma tonelada de lixo é retirada por mês da área, principalmente resíduos trazidos pela maré. Para ampliar a capacidade de atuação, ele liderou a criação do Instituto Guardião do Penedo, que busca parcerias para estruturar melhor o trabalho de preservação ambiental.

Enfrentando um câncer diagnosticado há 12 anos, o pescador já prepara um sucessor para dar continuidade à missão. Apesar disso, ele garante que não pretende deixar o local. O plano é reduzir o ritmo, cuidar do catamarã e navegar pela costa brasileira, sem abandonar o espaço que considera seu lugar no mundo.

Foto: Reprodução/ TV Gazeta