Falhar com segurança: a zona de falhas aceitáveis na liderança empresarial
Artigo nº34
Muitos líderes ainda veem o erro como algo a ser evitado a qualquer custo, pois existe um medo instalado de que falhar é sinônimo de incompetência, de que admitir um equívoco enfraquece a autoridade. Mas será que toda falha precisa ser tratada como ameaça? Ou será que, em alguns casos, errar pode ser justamente o que abre espaço para evoluir, inovar e fortalecer uma equipe?
Recentemente li um artigo que ampliou ainda mais minha visão sobre isso esse assunto e a proposta central do texto é clara e valiosa para o mundo corporativo: precisamos criar ambientes em que seja possível experimentar, testar e até falhar, sem colocar a reputação ou os resultados da organização em risco. É o que o autor chamou de “zona de falha aceitável”, ou ZOAF, um espaço controlado onde a falha é permitida, analisada e utilizada como ferramenta de aprendizagem real.
Esse conceito me conecta diretamente com os fundamentos da minha formação na área da educação. Um dos teóricos que estudei e aplico em contextos de liderança é Lev Vygotsky, que introduziu o conceito de zona de desenvolvimento proximal. Esse termo define o espaço entre o que o indivíduo já consegue fazer sozinho e o que ele só é capaz de realizar com ajuda. A zona de falha aceitável dialoga com esse pensamento, mas com uma diferença essencial: não há um apoio previamente garantido, como em um processo de ensino formal. Aqui a aprendizagem nasce da tentativa autônoma e do erro consciente, o que exige maturidade emocional, cultura de confiança e um ambiente seguro para que o aprendizado aconteça de fato.
No ambiente empresarial, isso pode ser traduzido em ações práticas. Em áreas como inovação, marketing, desenvolvimento de produto ou tecnologia, é essencial que haja espaço para testar hipóteses sem medo. Já em setores como finanças, atendimento ao cliente ou operações críticas, essa zona precisa ser mais delimitada. A sensibilidade do líder está justamente em saber calibrar esse espaço de acordo com o contexto e o perfil do time, expandindo-o conforme a equipe amadurece.
Os benefícios de criar uma zona de falha aceitável são inúmeros, pois equipes que sabem até onde podem errar se sentem mais livres para explorar novas ideias, buscar soluções alternativas e agir com mais autonomia. Além disso, passam a enxergar o erro não como falha definitiva, mas como parte do processo de crescimento. A análise de desempenho deixa de se basear apenas em resultados e passa a considerar também o caminho percorrido, os aprendizados gerados e o esforço investido.
Outro ponto fundamental é que ambientes onde a falha é gerida com inteligência reduzem o impacto do chamado “pensamento linear”. Esse conceito, descrito em estudos sobre comportamento e neurociências, mostra como o excesso de pressão, escassez de tempo e medo de errar afetam nossa capacidade de tomar decisões estratégicas. Quando os profissionais sentem que podem tentar algo novo sem serem punidos, eles se abrem à criatividade, à colaboração e ao aprimoramento contínuo.
Como educadora e consultora em desenvolvimento humano, vejo que o papel do líder é cada vez mais o de facilitador de aprendizados. Isso inclui não apenas ensinar ou direcionar, mas permitir que as pessoas testem seus próprios caminhos. Isso exige confiança, clareza e presença. Criar essa zona de falha aceitável é uma escolha estratégica, que fortalece a cultura, desenvolve senso de responsabilidade e prepara líderes dentro da própria equipe.
Se você quer começar a aplicar essa ideia na sua empresa ou no seu time, recomendo refletir sobre alguns pontos: primeiro, defina com clareza onde é possível falhar e onde o erro é inaceitável, em seguida, alinhe isso com a equipe, de forma transparente. Depois, avalie se as decisões estão sendo julgadas apenas pelo resultado final ou se há espaço para valorizar o processo. Por fim, estimule a autorreflexão: o que cada falha trouxe de aprendizado concreto?
Falhar com segurança é, acima de tudo, um ato de liderança consciente. Não se trata de incentivar a negligência, mas de construir uma cultura que transforma o erro em alavanca. Quem entende isso lidera com mais humanidade, coragem e inteligência.
Com visão,
Vanessa Freitas
Vanessa Freitas
Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria
Educadora Corporativa
Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES
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