Falhar com segurança: a zona de falhas aceitáveis na liderança empresarial

Falhar com segurança: a zona de falhas aceitáveis na liderança empresarial

Artigo nº36

A mente do empresário: entre o agora e o lugar nenhum

Sempre que inicio um treinamento para líderes e empresários, costumo dizer sem rodeios: eu não tenho problema em disputar minha fala com o celular de ninguém, o verdadeiro problema está em outro lugar (mais sutil, profundo e perigoso): no fato de que, aos poucos, vamos perdendo o hábito de estar realmente presentes. E isso é mais do que uma distração: é a perda silenciosa de um superpoder.

A liderança contemporânea exige que lidemos com muitas coisas ao mesmo tempo, seja um problema no financeiro, uma meta que precisa ser batida, uma reunião estratégica em andamento, ou mesmo uma mensagem urgente chegando pelo WhatsApp, e, de fundo, a cabeça já tentando antecipar o que vai dar errado no próximo trimestre. A mente do empresário virou um campo de guerra entre o agora e o depois. E o pior: estamos sendo vencidos.

Noto isso cada vez mais nos olhos vagos de quem ouve sem escutar, na mão que digita enquanto o outro fala, no corpo que está na sala, mas com a mente vagando entre pendências e notificações. Começamos a viver nesse meio-termo esquisito, onde não estamos nem aqui, nem lá. Não conseguimos aproveitar o momento presente porque estamos com a cabeça em outro problema. E, quando finalmente chegamos no tal problema, já estamos ocupados com o próximo. É como se estivéssemos sempre atrasados para a própria vida.

Essa perda de presença tem um custo alto! Ela rouba a clareza na tomada de decisões, enfraquece a escuta das equipes, atrapalha os vínculos de confiança e esgota a energia mental. Um líder que não está presente passa a reagir mais do que liderar; age por impulso; perde oportunidades sutis e não percebe os sinais do que está acontecendo à sua volta.

É preciso resgatar o poder da atenção. Estar 100% em um lugar por vez, mesmo que por alguns minutos, é hoje um diferencial. Um empresário presente é mais assertivo, mais empático, mais estratégico. Ele observa além do óbvio, percebe o que os dados não mostram e se conecta com as pessoas de verdade. Não é sobre largar tudo ou viver fora da realidade. É sobre escolher, com consciência, onde está sua mente enquanto seu corpo ocupa um espaço.

O que proponho aqui não é um convite romântico, mas uma prática realista de presença executiva. Antes de entrar numa reunião, respire. Antes de responder no piloto automático, escute. Antes de acelerar, pergunte a si mesmo se você está mesmo ali. E, principalmente, entenda que a mente presente é a base para uma liderança lúcida, humana e eficiente. Se estamos perdendo esse superpoder, ainda é tempo de recuperá-lo nas escolhas diárias. Porque, no fim das contas, liderar não é só agir, é perceber. E só percebe quem está inteiro no momento.

Com foco, presença e intenção,

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Educadora Corporativa

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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