Empresas mudam forma de contratar para enfrentar falta de trabalhadores no comércio e na alimentação
Diante da dificuldade para preencher vagas, lojas, bares e restaurantes do Espírito Santo estão reformulando suas estratégias de contratação. A escassez de mão de obra tem levado empresários a buscar alternativas para manter o funcionamento dos estabelecimentos, principalmente durante o período de verão, quando o movimento cresce significativamente.
Uma das principais mudanças está na ampliação do perfil dos candidatos. Pessoas sem experiência profissional, jovens em início de carreira e trabalhadores mais velhos passaram a ser vistos como uma solução viável pelas empresas.
Além disso, ajustes nas condições de trabalho também vêm sendo adotados, como aumento de salários, melhoria nas comissões, oferta de benefícios extras e horários mais flexíveis.
A presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Vila Velha, Glenda Amaral, afirma que o problema não se limita ao setor comercial, mas tem impactado diferentes áreas e funções.
Segundo ela, os lojistas têm buscado alternativas para tornar as vagas mais atrativas. “No comércio, observamos iniciativas como aumento no comissionamento, melhor remuneração, benefícios não obrigatórios — como auxílio alimentação —, além de maior flexibilidade de horários e abertura para contratar profissionais mais jovens ou pessoas acima dos 60 anos”, explica.
Setor de alimentação também sente impacto
A mesma realidade é percebida em bares, restaurantes e estabelecimentos similares. Com a chegada do verão e o aumento do fluxo turístico, a demanda por mão de obra cresce, intensificando a concorrência por trabalhadores.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares do Espírito Santo (Sindbares-ES), Rodrigo Vervloet, muitas empresas precisaram elevar salários e benefícios para atrair profissionais.
“As condições do setor já são competitivas, mas os empresários acabam oferecendo ainda mais vantagens para tentar preencher as vagas. Mesmo assim, a escassez continua sendo um desafio constante”, destaca.
Outra alternativa encontrada, segundo ele, tem sido a reorganização da operação. “É preciso otimizar processos, depender de menos pessoas e buscar profissionais que realmente tenham afinidade com o setor e com o atendimento ao público”, afirma.
Crescimento do setor e novos desafios
Dados regionais indicam que o Espírito Santo lidera o crescimento nacional em serviços ligados ao lazer e à alimentação fora do lar, com avanço de 13,5% em um ano. O resultado é impulsionado pelo turismo, pela gastronomia local e pela busca dos consumidores por novas experiências.
Somente no último trimestre de 2025, mais de 700 novos postos de trabalho foram abertos em todo o Estado.
Apesar do cenário positivo, empresários reconhecem obstáculos como o aumento dos custos operacionais, a inflação e a necessidade de manter os empregos ao longo do ano.
Inclusão e formação profissional
Em Vila Velha, a Papelaria Rainha, localizada no Centro da cidade, adotou a contratação de profissionais sem experiência como estratégia. Entre os novos funcionários está a repositora Maysa Oliveira Lima, de 18 anos, que começou a trabalhar no local há cerca de um mês.
Recentemente, a empresa também contratou uma funcionária com mais de 60 anos. Para o empresário João Carlos de Ângelo, de 64 anos, a iniciativa representa uma oportunidade de formação e inclusão. “Enxergamos esse movimento como uma chance de capacitar pessoas e contribuir com a geração de emprego”, afirma.
Além das contratações, muitos estabelecimentos têm investido na reorganização interna, redistribuição de funções e ajustes operacionais, buscando manter a qualidade do atendimento mesmo com equipes reduzidas.
Fontes: Sindilojas Vila Velha e Sindbares-ES.

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