Desastre de Mariana: 179 imóveis no Espírito Santo ainda dependem de carros-pipa para abastecimento de água

Desastre de Mariana: 179 imóveis no Espírito Santo ainda dependem de carros-pipa para abastecimento de água

Quase dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ainda há imóveis no Espírito Santo que recebem água por meio de fornecimento emergencial. Atualmente, 179 beneficiários em Colatina, Baixo Guandu e Linhares são atendidos com caminhões-pipa ou água envasada, segundo atualização da Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd).

O desastre, ocorrido em 5 de novembro de 2015, deixou 19 mortos, destruiu comunidades inteiras e lançou rejeitos de mineração que percorreram a bacia do Rio Doce até o mar, afetando o abastecimento de diversas cidades capixabas, como Conceição da Barra, São Mateus, Linhares, Aracruz, Fundão e Serra.

De acordo com a Serd, as empresas responsáveis estão em fase de estudos e execução de soluções definitivas para garantir o fornecimento de água. Entre as alternativas avaliadas estão a interligação dos imóveis à rede pública, a construção de sistemas coletivos de captação e tratamento e a adoção de soluções individuais, como poços artesianos.

Durante reunião realizada em Vitória, foram anunciados avanços, como a conclusão das obras de captação alternativa de água da Lagoa Nova, em Linhares, e a implantação de reservatórios na Estação de Tratamento de Água do bairro Morada do Sol, em Colatina. Já a captação alternativa no rio Guandu tem previsão de entrega para janeiro de 2026.

Programa 32
As ações fazem parte do Programa de Melhoria dos Sistemas de Abastecimento de Água, conhecido como Programa 32, que integra o acordo de repactuação homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2023. O objetivo é reduzir a dependência do Rio Doce no abastecimento público e assegurar água de qualidade às populações atingidas.

Esse programa nasceu do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado em 2016, e inclui medidas como modernização de Estações de Tratamento de Água (ETAs), construção de alternativas de captação e sistemas para tratar resíduos. Desde 2020, sua execução passou a ser acompanhada pela Justiça Federal em conjunto com municípios, órgãos públicos, Defensoria e o Comitê Interfederativo (CIF).