Carnaval do Boi Pintadinho transforma Muqui em vitrine da cultura capixaba
Enquanto os grandes centros apostam em trios elétricos e megablocos, Muqui segue outro caminho — e dá aula de identidade cultural. O tradicional Carnaval do Boi Pintadinho, reconhecido como Patrimônio Cultural do município, transforma a cidade em um grande palco de cultura popular, história viva e participação comunitária.
A manifestação tem raízes nos folguedos populares brasileiros, que misturam influências indígenas, africanas e europeias. Em Muqui, a tradição começou a ganhar forma ainda na década de 1940, inicialmente nas comunidades rurais e ligada às Folias de Reis. Foi só nos anos 1970 que o boi tomou as ruas no período de Carnaval, abrindo um novo capítulo cultural para a cidade.
O divisor de águas foi o surgimento do Boi do Bijoca, que levou definitivamente o Boi Pintadinho para o carnaval de rua. Registros históricos mostram que já em 1974 a tradição era anunciada na imprensa local, marcando o início do que hoje é reconhecido como o Carnaval Folclórico de Muqui.
Ao longo das décadas, o Boi Pintadinho deixou de ser atração paralela e virou o grande protagonista da folia. Hoje, são 22 grupos de bois e vacas, além dos bois mirins e dos Jaguarás, que garantem a participação de crianças, jovens, adultos e idosos. A tradicional Vaca Mocha, formada só por mulheres, também se destaca como símbolo de protagonismo feminino na cultura popular.
Durante os dias de festa, os bois — confeccionados artesanalmente com madeira, tecidos e pinturas vibrantes — tomam conta das ruas históricas da cidade, acompanhados por marchinhas, cantigas e ritmos regionais. Moradores e turistas se misturam no cortejo, dançando e interagindo com os personagens, em uma experiência que vai além do entretenimento: é memória viva em movimento.
Além do valor cultural, o evento se consolidou como um forte atrativo turístico. O Carnaval do Boi Pintadinho atrai visitantes que buscam uma folia diferente, longe do modelo de massa, e movimenta pousadas, bares, restaurantes e o comércio local. É cultura gerando renda, identidade fortalecendo turismo e tradição virando ativo econômico.
A festa acontece entre os dias 13 e 17 de fevereiro, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (Licc), da Secult, e reforça Muqui como um dos maiores símbolos da cultura popular do Espírito Santo.

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