Assédio moral não é gestão: é violência disfarçada de produtividade

Assédio moral não é gestão: é violência disfarçada de produtividade

Artigo nº31

Se tem um tema que precisa urgentemente estar na pauta das empresas é o assédio moral. E não apenas pelo impacto devastador que ele causa na saúde emocional dos colaboradores, mas também pelos prejuízos silenciosos, porém profundos, que ele gera na saúde financeira dos negócios. Durante muito tempo, comportamentos abusivos foram naturalizados como parte da rotina, como se fossem formas “duras, porém necessárias” de cobrar desempenho e alcançar metas. Mas a verdade é que a linha entre pressão por resultado e assédio muitas vezes é cruzada sem que haja consciência ou responsabilização. E quando isso acontece, todos perdem.

Liderar não é gritar, expor, ridicularizar ou usar o medo como ferramenta de gestão; também não é manipular com culpa, impor metas inatingíveis ou fazer jogos de ameaça velados. Liderar é orientar, desenvolver, escutar, corrigir com respeito e, acima de tudo, inspirar. Quando a liderança se torna um campo de comando e controle, em que o colaborador trabalha em constante tensão, com receio de errar ou se expressar, não estamos mais falando de gestão de pessoas, mas sim de uma relação violenta, autoritária e insustentável. Esse tipo de conduta, embora ainda esteja presente em muitas culturas corporativas, precisa ser nomeada pelo que realmente é: assédio moral.

Segundo a pesquisa realizada pela Mapa HDS entre 2023 e 2024, 57% dos casos de adoecimento mental dos trabalhadores estão diretamente relacionados a situações de assédio, pressão excessiva e insegurança no ambiente de trabalho. Esses dados revelam algo que não pode mais ser ignorado: as pessoas estão adoecendo em silêncio, apresentando sintomas como estresse crônico, ansiedade e depressão. E, ao contrário do que muitos pensam, não se trata de fragilidade ou falta de preparo emocional, trata-se de um ambiente que, por ausência de limites claros e políticas de proteção, corrói a saúde mental de forma contínua e perigosa.

Infelizmente, ainda há quem banalize essa realidade, tratando episódios de assédio como exagero ou “mimimi”. Mas eu afirmo com toda a clareza: violência emocional não pode ser normalizada em nome da produtividade. Quando o ambiente se torna hostil, o engajamento desaparece, o clima organizacional se deteriora e o colaborador, mesmo que permaneça fisicamente na empresa, se desconecta emocionalmente do trabalho, gerando efeitos concretos no desempenho e nos resultados. O custo é alto: aumento do turnover, absenteísmo, afastamentos por licença médica, perda de talentos, acordos trabalhistas e processos judiciais que mancham a reputação da empresa e comprometem sua sustentabilidade a longo prazo.

Por isso, empresas comprometidas com o bem-estar e o desempenho saudável de suas equipes precisam ter uma postura ativa e preventiva. Não basta esperar que “o bom senso” resolva, é necessário criar políticas claras e objetivas que demonstrem, na prática, o que é tolerado e o que é inadmissível no ambiente de trabalho. Isso passa por treinamentos periódicos, que expliquem de forma didática e acessível quais comportamentos configuram assédio moral, e também por campanhas internas que reforcem a importância da escuta, do respeito e da empatia nas relações profissionais. Além disso, é fundamental oferecer canais seguros de denúncia, que garantam sigilo e acolhimento, para que o colaborador se sinta protegido caso precise relatar alguma situação.

Como mentora de líderes e consultora de desenvolvimento humano, afirmo: uma liderança que dá resultado é aquela que respeita a dignidade de quem entrega. E uma empresa que deseja crescer com consistência precisa reconhecer que não existe performance de longo prazo sem saúde emocional. Assédio moral não é gestão firme, não é cobrança eficaz, e muito menos é estratégia de alta performance, é violência. E como toda violência, deve ser combatida com firmeza, consciência e responsabilidade.

Fica aqui o convite para mais uma reflexão: que tipo de cultura estamos construindo nos nossos negócios? Que tipo de liderança estamos estimulando? E o mais importante: que legado queremos deixar, não apenas nos números que apresentamos, mas nas pessoas que escolhem caminhar conosco?

Com respeito e propósito,

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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