IA ganha espaço entre mulheres que buscam mais segurança antes de encontros

IA ganha espaço entre mulheres que buscam mais segurança antes de encontros

Plataformas reúnem informações públicas em poucos segundos, mas especialistas alertam que consulta não é garantia de segurança e exige cuidado com a LGPD

A inteligência artificial passou a fazer parte de uma estratégia de prevenção adotada por mulheres antes de encontros com pessoas conhecidas pela internet. Aplicativos como Plinq e Puft.IA utilizam tecnologia para reunir informações públicas e elaborar consultas que podem indicar possíveis antecedentes ou situações de risco.

A proposta é agilizar uma pesquisa que, até pouco tempo, precisava ser feita manualmente em diferentes fontes. De acordo com o consultor em direito digital e inteligência artificial generativa Bruno Costa Teixeira, as plataformas fazem uma espécie de checagem de antecedentes ao cruzar dados disponíveis publicamente.

O processo envolve robôs que consultam fontes como tribunais, juntas comerciais e redes sociais abertas. Depois, sistemas tentam verificar se os registros encontrados realmente correspondem à pessoa pesquisada e utilizam inteligência artificial generativa para organizar as informações em um relatório de linguagem mais simples.

Uma das ferramentas que ganhou usuários é a Plinq, que já reúne mais de 63 mil cadastrados. Segundo a idealizadora da plataforma, Sabrine Matos, mais de 70 mil pesquisas foram realizadas. Os levantamentos podem usar nome e telefone para localizar informações públicas e gerar uma avaliação de risco.

Ainda segundo Sabrine, cerca de 10% dos alertas identificados estão relacionados a registros de violência doméstica. A pesquisa, porém, não se limita a processos judiciais e pode apresentar outros dados disponíveis publicamente, como estado civil e data de nascimento.

Consulta pode ajudar na prevenção, mas não garante segurança

Para a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-ES, Layla de Freitas, a utilização de informações públicas para uma finalidade legítima, como a prevenção e a proteção da integridade física, pode ser considerada lícita.

A advogada, no entanto, alerta para uma limitação importante: não encontrar registros não significa que a pessoa pesquisada seja necessariamente segura.

Isso ocorre porque determinados processos e medidas relacionadas à violência doméstica podem tramitar em sigilo. Além disso, situações de risco podem nunca ter chegado ao Judiciário. Dessa forma, um resultado sem apontamentos deve ser interpretado apenas como ausência de registros públicos localizados na pesquisa, e não como uma espécie de certificado de segurança.

Comportamentos também devem ser observados. Segundo Layla, atitudes como controle excessivo, tentativas de afastamento da rede de apoio, ciúme desproporcional e agressividade verbal podem representar sinais de alerta e não devem ser ignoradas apenas porque uma consulta não encontrou antecedentes.

Pesquisa manual também é usada por mulheres

A busca por informações antes de um encontro não depende necessariamente de aplicativos pagos. Algumas mulheres recorrem a pesquisas gratuitas em tribunais, redes sociais e outras fontes disponíveis na internet.

Foi o caso de Helena, nome fictício usado para preservar sua identidade. Aos 37 anos, ela começou a conversar com um homem e passou a desconfiar de algumas atitudes durante a aproximação.

Orientada por um amigo advogado, realizou pesquisas na internet e descobriu que o pretendente respondia a processos relacionados à Lei Maria da Penha e possuía uma medida protetiva. Desde então, mantém o hábito de buscar informações antes de marcar encontros.

A publicitária Jessica Soma também adotou esse tipo de precaução depois de voltar a sair com pessoas após o fim de um casamento de 18 anos. Ao entrar em aplicativos de relacionamento, passou a pesquisar os pretendentes na internet antes de encontrá-los pessoalmente.

Apesar de conhecer ferramentas específicas de checagem, ela optou por realizar as buscas por conta própria, consultando tribunais, redes sociais e outras fontes abertas.

Dados precisam ser usados com responsabilidade

A possibilidade de reunir informações em poucos segundos também traz riscos. Segundo Bruno Teixeira, uma consulta feita com finalidade de segurança é diferente de utilizar o resultado para expor ou perseguir alguém.

Compartilhar relatórios em grupos, publicar informações nas redes sociais ou utilizar os dados para constranger uma pessoa pode gerar consequências jurídicas, incluindo questões relacionadas a difamação, danos morais e perseguição.

Outro problema possível são os erros nas buscas. Homônimos, informações desatualizadas e interpretações equivocadas podem fazer com que um registro seja associado à pessoa errada. Por isso, os resultados precisam ser analisados com cautela e não devem ser tratados automaticamente como prova de que alguém praticou determinado ato.

As plataformas podem reduzir parte desse risco por meio do cruzamento de diferentes informações, mas não conseguem acessar dados que não sejam públicos. Um exemplo são boletins de ocorrência que não resultaram em processos ou outros registros protegidos por sigilo.

A utilização dessas informações também precisa respeitar os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A finalidade da consulta, a necessidade da informação e a forma como os dados serão utilizados são alguns dos aspectos que devem ser considerados.

Quando procurar ajuda

A existência de um processo ou de uma medida protetiva contra alguém não significa, por si só, que seja necessário acionar as autoridades. Porém, diante de situações em que a própria mulher esteja sendo ameaçada, perseguida ou assediada, a orientação é buscar ajuda.

Em casos de violência contra a mulher, é possível procurar uma Delegacia da Mulher ou entrar em contato com o Ligue 180. Em situações de emergência ou risco imediato, o atendimento deve ser acionado pelo 190.

Nesse contexto, as ferramentas de inteligência artificial aparecem como mais uma possibilidade de prevenção, mas não substituem cuidados básicos antes de um encontro, como avisar pessoas de confiança sobre o compromisso, compartilhar a localização e optar por locais públicos.

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Quem navega pela costa de Vitória ainda precisa manter distância das Ilhas Galheta de Dentro e de Fora. O acesso aos dois locais permanece proibido até 31 de outubro para proteger aves marinhas em período de reprodução — uma fase em que a simples presença de pessoas pode interromper a incubação, provocar abandono de ninhos e colocar ovos e filhotes em risco.  A restrição está prevista na Lei Municipal nº 8.993/2016 e vale entre março e outubro. Neste período, desembarcar ou circular pelas ilhas pode interferir diretamente nas áreas usadas pelas aves para nidificação.  Entre as espécies que utilizam esses ambientes estão a andorinha-do-mar-de-bico-amarelo (Sterna eurygnatha) e a andorinha-do-mar-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea).  Os ninhos podem ser construídos diretamente sobre o solo, com ovos camuflados entre pedras e outros elementos naturais. Essa característica torna a aproximação especialmente arriscada: quem desembarca pode pisar em ovos ou filhotes sem sequer perceber.  A movimentação humana também pode fazer com que as aves adultas deixem temporariamente os ninhos, aumentando a vulnerabilidade da nova geração.  Por isso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) reforça a campanha de educação ambiental voltada à proteção das ilhas e chama a atenção de navegadores, pescadores e frequentadores do litoral para o cumprimento da restrição até o fim do mês.  Proteção não termina em outubro O encerramento do período de acesso proibido não significa que as ilhas deixem de exigir cuidados.  Mesmo fora da época de restrição, continuam proibidas condutas que possam degradar o ambiente ou perturbar a fauna, como acender fogueiras, retirar vegetação, levar animais domésticos ou exóticos, pescar, pernoitar e interferir na avifauna.  Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Anderson Barbosa, preservar esses locais exige atenção durante todo o ano: “As ilhas são áreas de reprodução, alimentação e descanso para diferentes espécies. Respeitar o período de restrição é indispensável, mas o cuidado não termina quando outubro acaba. Quem utiliza o litoral precisa entender que está compartilhando esses ambientes com a fauna e que algumas atitudes podem comprometer todo um ciclo reprodutivo”, destaca.  Mudança no local dos ninhos acende alerta O acompanhamento da fauna marinha também trouxe um sinal de atenção neste ano.  Em 2026, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) relatou uma mudança no local de nidificação das trinta-réis-de-bando, que passaram a utilizar uma pilastra da Terceira Ponte para construir seus ninhos.  A presença humana frequente nas ilhas foi apontada pela instituição como uma das hipóteses que podem ter contribuído para essa mudança. O registro reforça a necessidade de reduzir interferências justamente nos ambientes escolhidos pelas aves para reprodução.  Distância também é proteção Para quem navega ou pratica atividades de lazer nas proximidades das Ilhas Galheta, a orientação é manter distância das aves, não se aproximar de ninhos ou filhotes e não deixar resíduos no ambiente.  A preservação dessas áreas depende também de um comportamento simples: observar sem interferir. Nas próximas semanas, enquanto o período de restrição permanecer em vigor, isso significa não desembarcar nas ilhas e permitir que as aves completem seu ciclo reprodutivo com o mínimo de perturbação possível.

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