E se esse profissional não vier trabalhar amanhã?

E se esse profissional não vier trabalhar amanhã?

Por Vanessa Freitas – Liderança em Foco | Portal Foco no ES

Quando falamos em sucessão dentro das empresas, quase sempre pensamos nos cargos mais altos. Quem está sendo preparado para assumir uma diretoria? Temos alguém pronto para ocupar uma gerência? Quem pode substituir determinada liderança? Mas hoje quero trazer essa conversa para outro lugar da empresa, muitas vezes esquecido quando o assunto é sucessão: a operação.

Pense naquele profissional que está há 15, 20 ou 30 anos na empresa. Ele conhece a máquina, o processo, os problemas mais comuns e até aqueles que quase nunca acontecem. Existe procedimento, ficha de processo, manual, instrução de trabalho, tudo registrado como deve ser, mas ainda assim, quando alguma coisa sai do padrão, é para ele que todo mundo olha. “Chama o fulano que ele sabe.” Provavelmente você tem alguém assim na sua empresa. É aquele profissional que escuta um barulho diferente e percebe que alguma coisa não está certa, que olha para o produto e identifica um problema antes mesmo de aparecer no controle de qualidade, que sabe que, dependendo da matéria-prima, do equipamento ou de determinada condição, talvez seja necessário fazer um ajuste que não está escrito no procedimento.

Isso não significa que os processos não sejam importantes, o problema é acreditar que tudo o que uma pessoa aprendeu durante décadas de trabalho consegue ser colocado em algumas páginas. Existe conhecimento que está no procedimento e existe conhecimento que foi construído vivendo o trabalho. Tem experiência, repertório, observação, tentativa, erro, acerto e repetição.

Agora imagine que esse profissional está próximo da aposentadoria. Quem está aprendendo com ele? E nem precisamos falar apenas de aposentadoria, ele pode tirar férias, precisar de uma licença, mudar de emprego ou simplesmente decidir que chegou a hora de fazer outra coisa. Se amanhã ele não vier trabalhar, quem assume?

Tenho trabalhado com projetos de gestão do conhecimento, carreira e sucessão e essa é uma pergunta que considero importante fazer às empresas. Porque quando começamos a olhar para a operação, percebemos que existe um conhecimento extremamente valioso concentrado em uma única pessoa. E isso tem custo, que pode aparecer em uma máquina parada por mais tempo do que deveria, em uma decisão errada, no retrabalho, na perda de produtividade, no desperdício, na qualidade do produto ou na dependência constante daquele profissional.

Durante anos a empresa investiu, direta ou indiretamente, na construção daquele conhecimento. O profissional conheceu equipamentos, processos, fornecedores, clientes, problemas e soluções. Se ninguém estiver aprendendo com ele, parte desse conhecimento vai embora quando ele sair. Por isso, sucessão não deveria ser uma conversa restrita às diretorias ou aos cargos de gestão. Precisamos olhar também para quem sustenta a operação todos os dias. E preparar um sucessor não é simplesmente escolher alguém para ocupar aquela função no futuro. É permitir que outra pessoa acompanhe, pergunte, observe e experimente. É colocar o profissional mais novo ao lado do mais experiente para entender não somente o que ele faz, mas porque faz daquela maneira. É permitir que participe da solução dos problemas enquanto ainda existe alguém ali para dizer: “já aconteceu algo parecido antes e fizemos assim”. Esse tipo de conhecimento não se transfere em uma reunião na última semana de trabalho ou em poucas horas de um treinamento formal. Precisa de convivência e acompanhamento constante.

Por isso finalizo aqui com uma provocação à você empresário capixaba: Quem são as pessoas que, se saírem amanhã, levam com elas um conhecimento que ainda não conseguimos substituir?

Faça esse exercício olhando para a sua empresa.

Quem é o profissional que todos procuram quando ninguém mais consegue resolver?

Se veio um nome à sua cabeça rapidamente, talvez seja exatamente por ele que o seu plano de sucessão deva começar.

Com alerta,

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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