Rodovia Serafim Derenzi: conheça a história da estrada que impulsionou a expansão de Vitória
Construída na década de 1940 para ligar regiões isoladas da capital, via atravessa 14 bairros e se consolidou como um dos principais corredores urbanos do município.
Muito antes de se tornar uma das principais ligações entre as regiões de Maruípe, Grande São Pedro e Santo Antônio, a Rodovia Serafim Derenzi foi concebida para integrar áreas isoladas de Vitória e impulsionar o desenvolvimento da capital capixaba. Projetada em 1939 e inaugurada em 1943, a então chamada Estrada do Contorno desempenhou papel decisivo na ocupação da região noroeste da cidade e no escoamento da produção agrícola local.
Atualmente, a rodovia corta 14 bairros — Andorinhas, Santa Marta, Joana D’Arc, Resistência, Nova Palestina, Redenção, Santo André, Ilha das Caieiras, São Pedro, Grande Vitória, Estrelinha, Inhanguetá, Santo Antônio e Mário Cyprestes — e é uma das vias mais movimentadas do município. No entanto, sua origem remonta a uma época em que o trajeto era cercado por manguezais, fazendas, pequenos portos e colônias de pescadores.
De acordo com documentos preservados pelo Arquivo Público Municipal de Vitória, até o fim do século XIX a região era marcada pela forte presença das águas do Rio Santa Maria, que serviam como importante rota de transporte entre o interior do Espírito Santo e a capital. A Ilha das Caieiras concentrava uma pequena comunidade de pescadores e um porto utilizado para o transporte de mercadorias destinadas ao Porto de Vitória.
A necessidade de criar uma ligação terrestre mais eficiente levou ao início das obras da Estrada do Contorno da Ilha de Vitória em 1939, durante a gestão do então prefeito Américo Poli Monjardim. O projeto, elaborado pelo engenheiro Serafim Derenzi, previa uma estrada ligando Santo Antônio a Maruípe, facilitando o transporte de verduras, legumes, leite e outros produtos cultivados nos sítios da região, além de integrar novas áreas ao crescimento urbano da capital.
Outro objetivo era explorar o potencial turístico do percurso, que oferecia vistas privilegiadas da paisagem da ilha. Publicações da época já destacavam a estrada como uma das principais obras de infraestrutura de Vitória, capaz de revelar cenários até então pouco conhecidos pelos próprios capixabas.
A construção foi realizada em condições bastante diferentes das atuais. Sem o auxílio de máquinas modernas, os trabalhos foram executados com ferramentas manuais, como picaretas e pás, além de carroças de tração animal. O responsável pela obra foi o empreiteiro italiano Serafim Derenzi, um dos nomes mais importantes da engenharia capixaba no início do século XX.
Além da Estrada do Contorno, Derenzi participou de obras que marcaram o desenvolvimento urbano do Espírito Santo, como o aterro do Parque Moscoso, a urbanização da região de Jucutuquara, a pavimentação da Avenida Vitória e a construção de diversas rodovias e pontes no interior do Estado. O engenheiro morreu em 1941, antes da conclusão da estrada, que foi inaugurada dois anos depois. Em 1957, a via passou a receber oficialmente seu nome como homenagem ao legado deixado para a infraestrutura capixaba.
Apesar da importância estratégica, a rodovia permaneceu sem pavimentação até o fim da década de 1960. Durante esse período, a região conservava características predominantemente rurais, com poucas residências, propriedades agrícolas e circulação limitada de veículos. Nos períodos de chuva, a estrada frequentemente ficava intransitável.
O cenário começou a mudar a partir da década de 1970, impulsionado pelo crescimento econômico do Espírito Santo e pela implantação de grandes empreendimentos industriais, como o Complexo de Tubarão, a Aracruz Celulose — atual Suzano — e a Companhia Siderúrgica de Tubarão, hoje ArcelorMittal Tubarão. A partir desse novo ciclo de desenvolvimento, a região passou por intensa urbanização, consolidando a Rodovia Serafim Derenzi como um dos principais eixos de mobilidade e expansão urbana de Vitória.

Hoje, além de sua importância para o trânsito da capital, a rodovia preserva uma história diretamente ligada ao crescimento da cidade, refletindo as transformações econômicas, sociais e urbanísticas que moldaram Vitória ao longo de quase oito décadas.


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