Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa no Brasil

Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa no Brasil

Novo tratamento em comprimido diário amplia opções para mulheres com ondas de calor e suor noturno que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal

Mulheres que enfrentam sintomas intensos da menopausa, como ondas de calor repentinas e suor excessivo durante a noite, passam a contar com uma nova alternativa de tratamento no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento não hormonal indicado para combater esses efeitos.

O remédio, chamado Veoza, será comercializado pela farmacêutica Astellas e tem como princípio ativo o fezolinetanto. A medicação é administrada em comprimido diário e é indicada para casos de sintomas vasomotores, conhecidos popularmente como fogachos, de intensidade moderada a forte.

Especialistas avaliam que a aprovação representa um avanço por ampliar as possibilidades terapêuticas para mulheres na menopausa. Até então, a reposição hormonal era considerada a principal alternativa com maior eficácia para controlar esses sintomas.

A ginecologista e obstetra Anna Bimbato explicou que, embora a terapia hormonal continue sendo uma opção importante para muitas pacientes, existem mulheres que não podem utilizá-la ou preferem evitar o uso de hormônios.

Entre os casos em que a reposição hormonal pode ser contraindicada estão mulheres com histórico de alguns tipos de câncer de mama, trombose, problemas cardiovasculares e outras condições específicas avaliadas pelos médicos.

A ginecologista Karin Kneipp Costa Rossi, presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo (Sogoes), explicou que os fogachos estão relacionados à queda do estradiol, hormônio que participa da regulação da temperatura corporal. Com a redução hormonal, alterações no funcionamento do hipotálamo podem provocar episódios de calor intenso e transpiração.

O novo medicamento atua justamente nesse mecanismo, bloqueando a ação da neurocinina B, substância envolvida na comunicação cerebral responsável pelo controle da temperatura do corpo durante a menopausa.

Segundo estudos clínicos que reuniram mais de 3 mil mulheres nos Estados Unidos, Europa e Canadá, o tratamento apresentou redução na frequência e na intensidade dos fogachos, além de um perfil de segurança considerado favorável.

A médica nutróloga Mariana Comério destacou que esses sintomas podem afetar diversos aspectos da vida das mulheres, prejudicando o sono, o humor, a disposição e até a produtividade no dia a dia.

Apesar da nova opção, especialistas reforçam que a reposição hormonal permanece como tratamento padrão para os sintomas da menopausa e pode trazer benefícios adicionais, como proteção à saúde óssea em algumas pacientes.

O Veoza ainda precisa passar pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável pela definição do preço do produto no país. Ainda não há previsão de quando o medicamento estará disponível nas farmácias.