26 de Maio chegou: e agora? O que a NR-1 muda para Empresários, Gestores e Líderes

26 de Maio chegou: e agora? O que a NR-1 muda para Empresários, Gestores e Líderes

Por Vanessa Freitas – Liderança em Foco | Portal Foco no ES

Durante muito tempo, falar sobre segurança no trabalho remetia apenas a capacetes, EPIs, riscos físicos e prevenção de acidentes visíveis, mas o ambiente corporativo mudou, as relações mudaram, assim como as formas de adoecimento também.

E agora isso está oficialmente reconhecido na legislação e o dia 26 de maio de 2026 marca a entrada em vigor da atualização da NR-1, tornando obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas brasileiras. Na prática, isso significa que saúde mental, clima organizacional, sobrecarga, assédio, metas abusivas, jornadas excessivas e falhas de comunicação deixam de ser apenas temas de RH e passam a integrar oficialmente as responsabilidades legais das organizações.

Muitos empresários ainda acreditam que a NR-1 se resume a documentos técnicos ou burocracias trabalhistas. Mas a mudança vai muito além disso, pois o que está sendo exigido não é apenas um novo papel dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), mas a forma como as empresas enxergam pessoas, gestão e cultura organizacional.

E os números deixam claro que o problema já não pode mais ser ignorado. No Espírito Santo, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais cresceram 158,9% entre 2021 e 2024, segundo dados da Previdência Social. Somente em 2024, o estado registrou 2.450 afastamentos relacionados a transtornos de ansiedade e 2.338 ligados a episódios depressivos. Entre as mulheres capixabas, os números são ainda mais expressivos: foram 5.417 benefícios concedidos em 2024, contra 3.346 para homens.

Os dados nacionais seguem na mesma direção. Em 2025, o Brasil ultrapassou 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, registrando o maior volume da série histórica. Ansiedade e depressão lideram os motivos de licenças concedidas pelo INSS, representando um impacto bilionário para o país. Isso significa que líderes despreparados, ambientes tóxicos e culturas sustentadas pelo medo passam a representar também um risco ocupacional.

E aqui existe um ponto relevante: a NR-1 não fala sobre fragilidade humana, sobretudo de gestão de riscos.

Não se trata de transformar empresas em clínicas emocionais, mas de compreender que ambientes adoecidos impactam produtividade, inovação, retenção, tomada de decisão, absenteísmo e resultados financeiros. Empresas que ignoram isso não estão apenas atrasadas culturalmente, mas aumentando seus riscos jurídicos, trabalhistas e operacionais.

Outro ponto que merece atenção é que a fiscalização deixa de ter apenas caráter educativo e a partir de agora, empresas poderão ser autuadas caso não contemplem os riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Vale a reflexão-ação: que tipo de ambiente a sua liderança vem construindo diariamente?

Porque não existe saúde mental sustentável em culturas desorganizadas, lideranças agressivas, metas desconectadas da realidade e ambientes onde as pessoas vivem permanentemente no modo sobrevivência.

A proposta dessa nova adequação não é para gerar problema, mas para iluminar um problema que já existe. Empresas maduras entenderão rapidamente que essa atualização não deve ser tratada como custo, obrigação ou ameaça. Ela representa uma oportunidade estratégica de revisar processos, fortalecer lideranças, melhorar comunicação, desenvolver inteligência emocional nas equipes e construir ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.

Para empresários, gestores e líderes, a mensagem é clara: saúde mental não é tendência, faz parte da gestão, cultura, responsabilidade e estratégia organizacional.

Com alerta e sustentabilidade empresarial,

 

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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