Conilon capixaba busca novos mercados e pode se tornar protagonista dos cafés do Brasil
Lideranças da Nater Coop, Cooabriel e Cafesul apontam qualidade, tecnologia e infraestrutura logística como fatores decisivos para aumentar a valorização do café produzido no Espírito Santo.
O café Conilon produzido no Espírito Santo tem potencial para ampliar sua presença nos mercados nacionais e internacionais, mas o avanço depende de investimentos em qualidade, tecnologia, logística e acesso a novos compradores. Essa foi uma das principais conclusões de um painel com lideranças das três maiores referências do cooperativismo cafeeiro capixaba, realizado durante a Feira Internacional do Café Conilon (FICC 2026), em São Mateus.
O encontro reuniu Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop; Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel; e Renato Theodoro, presidente da Cafesul. Mediado por Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES, o debate abordou estratégias para aumentar a competitividade da cafeicultura e garantir maior retorno financeiro aos produtores.
Com o tema “Três Caminhos, Um Propósito: Como o Cooperativismo Capixaba Gera Valor para Produtores, Comunidades e Mercados”, o painel destacou que produzir em grande escala não é suficiente para ampliar a rentabilidade. O setor também precisa atender às exigências dos compradores, agregar valor ao produto e superar obstáculos que afetam a produção e o transporte.
Qualidade e tecnologia para valorizar o café
A qualidade foi apontada como um dos principais caminhos para conquistar mercados mais exigentes. Segundo Renato Theodoro, presidente da Cafesul, problemas como café mofado e gosto de fumaça, além de questões ambientais, podem comprometer o trabalho dos produtores e reduzir as possibilidades de melhor remuneração.
Os desafios são ainda maiores para quem cultiva café em regiões de montanha, onde as condições do terreno dificultam a mecanização e a escassez de mão de obra afeta as atividades no campo. A sucessão familiar também preocupa o setor, que precisa encontrar formas de atrair as novas gerações para a atividade.
Nesse cenário, a combinação entre conhecimento tradicional e tecnologia será fundamental para manter a produtividade e melhorar a qualidade do Conilon capixaba.
Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, ressaltou que os produtores precisarão adaptar a gestão das propriedades às mudanças climáticas, à disponibilidade de trabalhadores e às novas exigências do mercado. Para ele, a evolução da qualidade do café brasileiro abre espaço para uma mudança de patamar da variedade.
“Daqui a 10 anos, eu vejo o Conilon como protagonista dos cafés do Brasil”, afirmou Bastianello.
Logística pode ampliar a competitividade
Além dos avanços dentro das propriedades, a infraestrutura foi apontada como um fator determinante para o crescimento da cadeia. A melhoria das rodovias e da logística portuária e aérea pode reduzir custos, facilitar o escoamento da produção e tornar o produto capixaba mais competitivo.
Outro desafio é ampliar o acesso a compradores que reconheçam e remunerem melhor a qualidade do café produzido no Estado.
Para Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop, o crescimento da demanda mundial por café representa uma oportunidade para o Conilon capixaba. No entanto, aproveitar esse cenário exige uma estratégia comercial capaz de ampliar a presença do produto em novos destinos.
Segundo ele, cafés de outros países conseguem alcançar maior valorização em determinados mercados. Para mudar esse quadro, o Espírito Santo precisa avançar continuamente na qualidade e fortalecer sua conexão com compradores que valorizem os diferenciais da produção local.
Espírito Santo concentra cerca de 70% do Conilon brasileiro
A dimensão da cafeicultura capixaba ajuda a explicar a importância dessas estratégias. O Estado concentra aproximadamente 70% da produção nacional de Conilon, reúne mais de 49 mil propriedades produtoras e possui mais de 258 mil hectares cultivados. A produção estimada supera 14 milhões de sacas.
O cooperativismo tem papel relevante nesse cenário, ao oferecer apoio aos produtores, facilitar o acesso a conhecimento e tecnologia e ampliar as possibilidades de comercialização.
A Cooabriel, sediada em São Gabriel da Palha, é apontada como a maior cooperativa de café Conilon do Brasil e reúne mais de 9,7 mil cooperados. A Nater Coop possui mais de 25 mil cooperados, atua no Espírito Santo, em Minas Gerais e na Bahia e atende mais de 30 mil produtores rurais.
Já a Cafesul, com sede em Muqui, reúne pequenos produtores do Sul capixaba e trabalha com foco em cafés especiais, sustentabilidade, agricultura familiar e valorização das comunidades produtoras.
Embora tenham perfis e áreas de atuação diferentes, as três cooperativas compartilham o objetivo de fortalecer a cadeia cafeeira e ampliar o valor gerado para quem produz.
Para o curador da FICC, Marcus Magalhães, a participação conjunta das organizações permite aproximar diferentes realidades da cafeicultura e ampliar o debate sobre inovação, comercialização e desenvolvimento regional.
FICC reúne produtores, empresas e compradores
A segunda edição da Feira Internacional do Café Conilon foi realizada entre os dias 8 e 10 de outubro, em São Mateus, reunindo produtores rurais, cooperativas, empresas, instituições, especialistas e compradores.
A programação incluiu painéis técnicos, rodadas de negócios, experiências relacionadas ao café, visitas técnicas, Dia de Campo, estandes, gastronomia e apresentações musicais.
Entre os temas discutidos estiveram o mercado do agronegócio, as oportunidades para a pimenta-do-reino, os investimentos no Norte do Espírito Santo e os projetos de infraestrutura logística para o Estado.
A feira também abriu espaço para discutir como a integração entre produtores, cooperativas, empresas e poder público pode contribuir para superar gargalos da cadeia produtiva.
O debate reforçou que o futuro do Conilon capixaba dependerá de uma atuação conjunta: produtores investindo em qualidade e tecnologia, cooperativas ampliando o acesso a mercados e melhorias na infraestrutura para facilitar o transporte da produção.

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