Casos de diabetes mais que dobram no Brasil em 18 anos, aponta Ministério da Saúde
Percentual de adultos com diagnóstico passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024; especialistas reforçam importância da prevenção e do diagnóstico precoce
O número de adultos diagnosticados com diabetes mais que dobrou no Brasil nos últimos 18 anos, segundo dados da edição mais recente do Vigitel, levantamento realizado pelo Ministério da Saúde nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
De acordo com o estudo, a proporção de adultos que informaram ter recebido diagnóstico médico da doença passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. O crescimento representa uma alta de 135% no período.
O avanço do diabetes ocorre em um cenário de aumento também nos registros de hipertensão, excesso de peso e obesidade, fatores que estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Para especialistas, os números devem ser analisados considerando tanto o envelhecimento da população e a ampliação da realização de exames quanto a necessidade de reforçar medidas de prevenção.
A endocrinologista Cintia Freitas Quintão, da Unimed Vitória, explica que o aumento dos diagnósticos tem relação com as transformações demográficas e com a maior realização de testes, mas também representa um alerta para a saúde pública.
No caso do diabetes tipo 2, que corresponde a aproximadamente 90% dos casos, fatores como histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo e hipertensão aumentam as chances de desenvolvimento da doença.
A endocrinologista e metabologista Priscila Pessanha destaca que identificar esses fatores antecipadamente permite iniciar medidas de controle antes que a doença evolua.
Doença pode avançar sem sintomas
Um dos principais desafios relacionados ao diabetes é que a doença pode permanecer durante bastante tempo sem provocar sintomas perceptíveis. Por isso, o acompanhamento médico é importante mesmo quando a pessoa não apresenta sinais aparentes de alteração da saúde.
O coordenador de Nefrologia da Rede Meridional, Sérgio Gobbi, reforça que o controle da glicemia deve estar associado a hábitos saudáveis e ao acompanhamento regular.
Entre as medidas recomendadas estão manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, manter o peso em uma faixa saudável e realizar consultas e exames periódicos para acompanhar a glicose e controlar condições associadas, como a hipertensão.
Diagnóstico é feito por exames de sangue
A identificação do diabetes ocorre por meio de exames que verificam a concentração de glicose no sangue. Entre os principais estão a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada.
Em determinadas situações, também pode ser indicado o teste oral de tolerância à glicose.
Embora o diabetes possa ser silencioso, alguns sinais podem surgir, como perda de peso sem explicação, sede excessiva, aumento da frequência urinária, fome excessiva, tontura, dor de cabeça e alterações na visão.
História familiar pode aumentar atenção
O radialista André Costa Pereira, de 48 anos, descobriu que tinha diabetes tipo 2 há cerca de duas décadas. Na época, ele não realizava acompanhamento médico frequente, apesar de ter o pai diagnosticado com a doença.
A suspeita surgiu após uma perda significativa de peso: 12 quilos em apenas três meses. Ele também passou a sentir mais sede e vontade de urinar com frequência.
Após procurar atendimento médico, recebeu o diagnóstico e precisou ser encaminhado para um hospital. Atualmente, mantém acompanhamento periódico e utiliza medicamentos para controlar a doença.
Quais são os tipos de diabetes?
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o organismo deixa de produzir insulina. Geralmente, manifesta-se durante a infância ou juventude e tem forte componente genético.
Já o diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo não utiliza a insulina adequadamente ou não produz quantidade suficiente. É o tipo mais frequente e corresponde a cerca de 90% dos casos.
No tipo 2, alguns dos principais fatores associados são sobrepeso ou obesidade, histórico familiar, idade acima de 45 anos, hipertensão, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, sedentarismo, pré-diabetes e síndrome dos ovários policísticos.
Prevenção ajuda a reduzir riscos
A adoção de hábitos saudáveis é considerada uma das principais estratégias para reduzir os riscos relacionados ao diabetes tipo 2 e suas complicações.
Entre as medidas estão manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo excessivo de açúcar e gorduras saturadas, praticar atividades físicas regularmente e manter acompanhamento médico.
Além da prevenção, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco. O controle adequado da doença pode ajudar a evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.


