Mudança de hábitos ou medicação? Ciência mostra que estratégias se complementam no controle do colesterol
No Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, especialista esclarece mitos e verdades sobre um dos principais fatores de risco para infarto e AVC
Mais de 40% dos adultos brasileiros convivem com níveis elevados de colesterol, condição que está entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Apesar disso, ainda é comum que informações equivocadas levem muitas pessoas a adiar exames, interromper tratamentos ou acreditar que apenas mudanças no estilo de vida, ou somente o uso de medicamentos, são suficientes para controlar o problema.
A ciência, no entanto, mostra que essas estratégias não são excludentes. A combinação entre hábitos saudáveis e tratamento medicamentoso, quando indicado, é a forma mais eficaz de reduzir o colesterol e prevenir complicações cardiovasculares.
No Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, o cardiologista da MedSênior, Augusto Neno, esclarece os principais mitos e verdades sobre o tema.
MITO – Colesterol alto não dá sintoma, então não é tão grave
A maioria das pessoas só descobre que tem alteração em exames de rotina e, muitas vezes, depois de um evento grave, como um infarto.
O acúmulo de placas de gordura nas artérias ocorre de forma lenta, sem dor e sem sinais evidentes, aumentando o risco de doenças cardiovasculares ao longo dos anos.
MITO – Estatina faz mal para o fígado e não deve ser usada
As estatinas, remédios usados para reduzir o colesterol ruim (LDL), podem, em alguns casos, alterar exames de função hepática, mas isso é monitorado pelo médico.
Quando bem indicadas e acompanhadas, elas são seguras e trazem muito mais benefício do que risco. Casos de dano hepático grave são raros e, em geral, levam à suspensão ou troca do medicamento, sempre sob orientação profissional.
MITO – Todo mundo com colesterol alto precisa tomar estatina
Nem sempre o tratamento começa com remédio. Em casos leves, sobretudo em pessoas jovens e sem outros fatores de risco, mudanças no estilo de vida podem ser suficientes.
A indicação de estatina leva em conta o risco global do paciente: idade, pressão alta, diabetes, tabagismo, histórico familiar e presença de doença cardíaca ou vascular prévia.
MITO – Quem toma estatina pode relaxar na alimentação
A estatina não é um “passe livre” para excessos na dieta. O remédio é um aliado, não um substituto de hábitos saudáveis, reforça o médico. Uma alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso e não fumar continuam sendo fundamentais para manter o colesterol sob controle e reduzir riscos ao coração.
VERDADE – Estatinas salvam vidas
Diversos estudos mostram que as estatinas reduzem significativamente o risco de infarto, AVC e morte por doenças cardiovasculares, especialmente em quem já teve algum evento cardíaco ou apresenta alto risco.
Elas ajudam a estabilizar as placas de gordura nas artérias, diminuindo a chance de ruptura e formação de coágulos.
MITO – Estatinas sempre causam dor muscular
A dor muscular é um efeito colateral conhecido, mas não é regra. A maior parte dos pacientes não apresenta sintomas. Quando há dor, o médico avalia a intensidade, ajusta a dose ou troca a estatina.
Em alguns casos, investiga outras causas, como falta de vitamina D, esforço físico intenso ou outros medicamentos.
MITO – Colesterol alto é só problema de idoso
O colesterol pode estar elevado desde a juventude, principalmente em pessoas com histórico familiar ou alimentação rica em gorduras saturadas e ultraprocessados.
O idoso costuma colher os resultados de anos de exposição a fatores de risco. Por isso, a prevenção precisa começar cedo e se manter ao longo da vida.
VERDADE – Colesterol alto pode ser hereditário e exige atenção redobrada
Algumas pessoas têm colesterol muito elevado desde cedo por causa de alterações genéticas, como na hipercolesterolemia familiar.
Nesses casos, mesmo com boa alimentação e exercícios, o LDL permanece alto, e o risco de infarto precoce aumenta. Para esses pacientes, o uso de estatinas costuma ser fundamental e, muitas vezes, por toda a vida.
Por isso, histórico de infarto ou AVC em parentes jovens (antes dos 55 anos para homens e 65 para mulheres) deve sempre ser relatado ao médico.
MITO – Quem tem colesterol bom alto está protegido
O HDL, o chamado “colesterol bom”, ajuda a retirar gordura das artérias, mas ter HDL alto não compensa um LDL muito elevado.
O foco principal do controle é o LDL, especialmente em quem já tem doença cardíaca ou diabetes. Não é porque o HDL está bom que podemos ignorar o colesterol ruim.
MITO – Se o exame normalizou, posso parar a estatina por conta própria
Valores normais no exame significam que o tratamento está funcionando, não que o problema foi “curado”. Interromper a estatina sem orientação pode levar à elevação rápida do LDL e ao aumento do risco cardiovascular.
A decisão de reduzir a dose ou suspender o remédio deve ser sempre conjunta com o médico.
VERDADE – Mudanças de estilo de vida podem evitar o uso de estatinas
Alimentação balanceada, prática regular de exercícios, evitar cigarro e controle do peso podem reduzir significativamente o colesterol e, em alguns casos, adiar ou até evitar o uso de medicação.
A estatina, quando necessária, é uma aliada importante, mas a base da prevenção continua sendo o estilo de vida.

Jornalista e corretora ortográfica. Atua na revisão, padronização e produção de conteúdo jornalístico, com experiência em rede de notícias e assessoria de imprensa, assegurando clareza, precisão e credibilidade da informação.




