Empresas apostam em tecnologia para enfrentar os impactos do fim da escala 6×1
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a possível redução da jornada semanal de trabalho já começa a provocar mudanças na estratégia das empresas capixabas. Antes mesmo de qualquer alteração definitiva na legislação, indústrias, comércios e prestadores de serviços intensificam investimentos em inteligência artificial (IA), automação e tecnologias de autoatendimento para preservar a produtividade e reduzir custos operacionais.
Levantamentos realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Connect Fecomércio-ES apontam que a automação aparece entre as principais alternativas consideradas pelas empresas para enfrentar um cenário de menor carga horária de trabalho.
Para o setor produtivo, a transformação tecnológica deixa de ser apenas uma oportunidade de inovação e passa a representar uma estratégia de adaptação às novas exigências do mercado.
Inteligência artificial ganha espaço nas empresas
Especialistas avaliam que a redução da jornada tende a acelerar um movimento que já estava em curso: a digitalização dos processos internos.
A expectativa é de que ferramentas baseadas em inteligência artificial sejam utilizadas para automatizar atividades repetitivas, agilizar atendimentos, reduzir desperdícios e permitir que profissionais concentrem esforços em tarefas mais estratégicas.
Segundo representantes do setor produtivo, o objetivo não é apenas substituir mão de obra, mas ampliar a eficiência operacional das empresas.
Entre os segmentos que devem intensificar esse processo estão indústria, comércio, logística, alimentação, atendimento ao cliente e empresas de operação contínua.
Automação deve crescer em diferentes setores
No Espírito Santo, empresas especializadas em soluções tecnológicas já registram aumento na procura por sistemas de automação.
Entre as ferramentas mais buscadas estão plataformas de atendimento inteligente, robôs para execução de tarefas administrativas, softwares de gestão de processos e sistemas capazes de automatizar atividades repetitivas.
No varejo, por exemplo, uma das tendências apontadas é a ampliação dos equipamentos de self-checkout, permitindo que parte do atendimento seja realizada pelo próprio consumidor.
Já na indústria, a expectativa é ampliar investimentos em processos automatizados para manter níveis de produção mesmo com jornadas menores.
Empresas buscam manter competitividade
Representantes do setor empresarial afirmam que o aumento da produtividade será fundamental para compensar eventuais impactos financeiros provocados pela redução da carga horária.
Segundo eles, empresas que conseguirem automatizar processos e eliminar desperdícios terão melhores condições de preservar investimentos, gerar empregos e manter a competitividade.
Além da tecnologia, outras alternativas estudadas incluem reorganização das escalas internas, revisão dos horários de funcionamento e ajustes operacionais.
Pesquisa aponta principais estratégias das empresas
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria revelou que:
- 51% das empresas apontam o reajuste de preços como principal alternativa para enfrentar os impactos da redução da jornada;
- 41% pretendem ampliar investimentos em automação;
- 34% estudam reduzir reajustes salariais ou promoções.
Entre as grandes indústrias, quase metade afirma que pretende aumentar investimentos em tecnologia para compensar a diminuição das horas trabalhadas.
Já entre as pequenas empresas, o percentual é menor, refletindo limitações financeiras para realizar esse tipo de investimento.
Comércio também prepara mudanças
Pesquisa realizada pelo Connect Fecomércio-ES mostra que empresários do comércio capixaba também avaliam diferentes estratégias caso a redução da jornada seja implementada.
Entre elas estão:
- aumento de preços;
- reorganização das escalas de trabalho;
- investimentos em automação;
- redução do horário de funcionamento;
- contratação de novos funcionários.
Os setores que dependem de atendimento presencial e funcionamento contínuo aparecem entre os mais preocupados com os possíveis impactos da mudança.
Transformação digital deve acelerar
Independentemente da definição sobre a escala 6×1, especialistas avaliam que o avanço da inteligência artificial e da automação continuará ganhando espaço dentro das empresas.
A tendência é que tecnologias capazes de executar tarefas repetitivas, organizar processos e apoiar a tomada de decisões se tornem cada vez mais presentes no ambiente corporativo.
Mais do que reduzir custos, o objetivo passa a ser aumentar a eficiência operacional e preparar os negócios para um mercado cada vez mais competitivo.

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