Ciência aponta que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos com hábitos saudáveis
Novas diretrizes da OMS reforçam que atividade física, controle da pressão, diabetes e colesterol são fundamentais para proteger o cérebro ao longo da vida
A demência deixou de ser vista apenas como uma consequência natural do envelhecimento. Novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que até 45% dos casos podem ser evitados por meio da adoção de hábitos saudáveis e do controle de fatores de risco ao longo da vida.
O documento, que atualiza as recomendações publicadas em 2019, reúne as evidências científicas mais recentes e reforça que cuidar da saúde cerebral começa muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
Estilo de vida faz diferença
Segundo a OMS, fatores como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, depressão e isolamento social aumentam significativamente o risco de desenvolver demência.
A atualização das diretrizes também inclui novos fatores associados à doença, como poluição do ar, deficiência visual, traumatismo craniano, acidente vascular cerebral (AVC) e infecção pelo HIV.
A recomendação é que esses fatores sejam identificados e tratados o quanto antes, reduzindo os impactos sobre a saúde do cérebro.
Exercício físico protege o cérebro
Entre todas as medidas preventivas, a prática regular de atividade física aparece como uma das estratégias mais eficazes.
Especialistas recomendam pelo menos 150 minutos de exercícios por semana, incluindo caminhadas, hidroginástica, musculação, pilates ou outras atividades que mantenham o corpo ativo.
Além dos benefícios para o coração e para a circulação, o exercício melhora a oxigenação cerebral, estimula novas conexões entre os neurônios e ajuda na preservação da memória.
Prevenção começa cedo
Neurologistas destacam que a saúde cerebral é construída durante toda a vida. O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol torna-se especialmente importante a partir da meia-idade, mas mudanças no estilo de vida também apresentam benefícios quando iniciadas após os 60 ou 70 anos.
Outro ponto importante é manter o cérebro constantemente estimulado por meio da leitura, estudos, atividades intelectuais e convivência social.
Atenção aos sinais
Os especialistas lembram que esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou demorar um pouco mais para lembrar um nome pode fazer parte do envelhecimento normal.
O alerta surge quando os esquecimentos passam a ser frequentes, progressivos e começam a comprometer atividades do dia a dia, afetando a autonomia da pessoa.
Nesses casos, a orientação é procurar avaliação médica o quanto antes.
Saúde integral
Atualmente, cerca de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo. A nova orientação da OMS reforça que a prevenção depende de um conjunto de cuidados que envolve alimentação equilibrada, atividade física, controle de doenças crônicas, sono adequado, estímulo cognitivo, acompanhamento médico e participação social.
A mensagem dos especialistas é clara: envelhecer não significa, obrigatoriamente, desenvolver demência. Em muitos casos, escolhas feitas ao longo da vida podem preservar a memória, a autonomia e a qualidade de vida por muitos anos.
Foto de Capa produzida por IA

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