Super El Niño pode aumentar casos de dengue e elevar risco de incêndios no Espírito Santo

Super El Niño pode aumentar casos de dengue e elevar risco de incêndios no Espírito Santo

Defesa Civil alerta para temperaturas acima da média, estiagem prolongada e possíveis impactos na saúde, agricultura e no custo da energia elétrica

O Espírito Santo deve sentir os efeitos do Super El Niño a partir do mês de agosto. A previsão preocupa especialistas porque o fenômeno climático poderá provocar temperaturas acima da média, redução das chuvas, aumento do risco de incêndios florestais e favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Segundo o coronel Benício Ferrari, da Defesa Civil Estadual, os modelos meteorológicos indicam que os meses de agosto e setembro poderão registrar temperaturas cerca de dois graus acima da média histórica, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento do mosquito transmissor da dengue.

Calor favorece avanço da dengue

Com temperaturas mais elevadas, o ciclo de reprodução do Aedes aegypti torna-se mais rápido, aumentando o potencial de transmissão da doença. O alerta já havia sido reforçado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), que destacou a necessidade de intensificar as ações preventivas nos municípios.

Embora agosto e setembro não sejam tradicionalmente os meses mais quentes do ano, a previsão é de calor acima do normal para o período.

Risco maior de incêndios florestais

Outro efeito esperado é o aumento do risco de incêndios florestais. A combinação de estiagem prolongada, baixa umidade do ar, vegetação seca, temperaturas elevadas e ventos mais intensos cria um cenário propício para a propagação do fogo.

A Defesa Civil ressalta, porém, que os incêndios não surgem espontaneamente. Na maioria dos casos, eles têm origem em ações humanas, seja por acidentes ou queimadas irregulares.

Agricultura também pode ser afetada

O Super El Niño também deve provocar impactos na produção agrícola capixaba. A falta de chuvas pode comprometer a floração das plantas, reduzir o desenvolvimento dos frutos e favorecer o surgimento de pragas, que se multiplicam com maior facilidade em ambientes mais quentes.

As regiões Norte do Estado possuem maior estrutura de irrigação e convivem com estiagens frequentes, enquanto áreas das regiões Serrana e Sul podem enfrentar maiores dificuldades por dependerem mais das chuvas.

Conta de energia pode subir

Outro reflexo do fenômeno pode ser sentido no bolso da população. Com a redução do volume de água nos reservatórios das hidrelétricas, aumenta a necessidade de utilização das usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.

Caso esse cenário se confirme, existe a possibilidade de reajustes nas bandeiras tarifárias e aumento na conta de energia elétrica.

Fenômeno pode durar até 2027

As previsões indicam que o El Niño poderá permanecer ativo até o início de 2027. Se o aquecimento persistir durante o verão, não está descartada a ocorrência de novos recordes de temperatura no Espírito Santo.

Enquanto o cenário continua sendo monitorado pelos órgãos de meteorologia e pela Defesa Civil, a orientação é reforçar os cuidados contra a dengue, economizar água, evitar queimadas e acompanhar os alertas oficiais sobre as condições climáticas.

Foto de Capa produzida por IA