Novo exame pode ampliar diagnóstico precoce de câncer no intestino pelo SUS
Um novo exame para ajudar a detectar precocemente problemas intestinais, incluindo o câncer de intestino, foi adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) identifica a presença de sangue oculto nas fezes, invisível a olho nu, um possível sinal inicial de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou tumores.
A oncologista da Rede Meridional Camila Oliveira explica que o câncer colorretal está entre os mais frequentes no País e tem aumentado inclusive entre pessoas jovens. “Esse tipo de câncer geralmente inicia como um pólipo e, se ele for detectado e retirado, a gente pode prevenir o desenvolvimento”.
O FIT é considerado mais moderno e preciso do que os testes antigos de sangue oculto nas fezes. Segundo a oncologista da São Bernardo Samp Alyssa Miranda, a principal diferença é a especificidade do método. “Diferente dos testes antigos, ele detecta especificamente sangue no intestino. Os testes antigos podiam sofrer interferência da alimentação e medicamentos”, destacou.
O novo exame não exige dieta prévia nem preparo intestinal. A coleta pode ser feita em casa e encaminhada ao laboratório para análise.
O gastroenterologista e endoscopista digestivo do Instituto Capixaba do Aparelho Digestivo Áureo Paolielo orienta que as fezes não podem ter contato com água ou urina. “Essa amostra é colocada dentro de um vidro com um líquido específico e deve ser entregue no laboratório entre 24 e 48 horas. O resultado sai em até três dias”, explicou.
Apesar do avanço no rastreamento, especialistas alertam que o exame não substitui a colonoscopia. A oncologista clínica Oncomédica Juliana Alvarenga afirma que o FIT é uma ferramenta de triagem. “Resultados positivos devem ser seguidos por colonoscopia, que é o método diagnóstico padrão-ouro”.
Os médicos reforçam que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura. Quando descoberto no início, o câncer colorretal pode ter taxas de cura superiores a 90%.
Entre os principais sinais de alerta estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal recorrente, perda de peso inexplicada, anemia e sensação de evacuação incompleta.
Saiba mais
Os testes tradicionais utilizam uma reação química de oxidação, o que os torna menos específicos, já que podem reagir com hemoglobina de origem alimentar ou outras substâncias.
O FIT, por outro lado, é específico para hemoglobina humana por isso apresenta maior sensibilidade e especificidade. Ele não requer restrições dietéticas.
Isso resulta em melhor desempenho como ferramenta de rastreamento populacional.
Diagnóstico precoce
Está diretamente associado a melhores desfechos clínicos.
Em estágios iniciais, as taxas de sobrevida em 5 anos podem ultrapassar 90%. O tratamento é menos complexo, frequentemente cirúrgico.
Nos estágios avançados, há maior necessidade de terapias sistêmicas. A sobrevida global é significativamente reduzida.
Por isso, estratégias de rastreamento são fundamentais para redução de mortalidade.
Sinais de alerta
Apesar do foco no rastreamento de indivíduos assintomáticos, alguns sinais clínicos devem motivar investigação imediata:
Sangue nas fezes
Alteração persistente do hábito intestinal
Mudança no calibre das fezes
Dor abdominal recorrente
Perda de peso inexplicada
Anemia
Prevenção
Se baseia em duas estratégias principais:
Rastreamento, com utilização do FIT em populações de risco médio e colonoscopia para investigação diagnóstica e terapêutica.
e Modificação de fatores de risco, com dieta rica em fibras e pobre em carnes processadas, prática regular de atividade física, controle da obesidade e redução do consumo de álcool e cessação do tabagismo.
Vale destacar que a colonoscopia permite a identificação e ressecção de lesões precursoras, atuando diretamente na prevenção da doença.
Fonte : Tribuna Online

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