Teleconsultas no ES devem quadruplicar, mas meta depende de médicos
O Espírito Santo se prepara para ampliar de forma agressiva o uso de teleconsultas na rede pública de saúde em 2026. A proposta do governo estadual é multiplicar por mais de quatro vezes o volume de atendimentos remotos feitos pelo SUS, saindo de pouco mais de 78 mil registros no ano passado para uma meta que ultrapassa 300 mil consultas.
A estratégia é vista dentro da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) como uma das principais saídas para enfrentar dois gargalos históricos da rede: a fila para especialidades e a dificuldade de levar atendimento médico a municípios que não conseguem manter profissionais de forma permanente.
Mas o plano tem um ponto frágil: não depende só do governo. Para virar realidade, será necessário que médicos e prestadores se interessem pelos editais de credenciamento que vão ser abertos ao longo do ano. Sem profissionais suficientes, a meta vira número bonito no papel.
A distribuição das vagas já está desenhada. A maior parte dos atendimentos deve se concentrar na Região Metropolitana, onde a demanda é mais alta e a estrutura de atendimento remoto já funciona em larga escala. As regiões Norte, Central e Sul também entram no planejamento, com quantitativos menores, mas estratégicos para reduzir deslocamentos longos de pacientes do interior.
Hoje, o modelo já funciona em todos os municípios capixabas. O paciente vai à unidade de saúde, passa pela triagem normal do SUS e, quando precisa de um especialista, é direcionado para a teleconsulta. No dia marcado, o atendimento acontece em uma sala equipada, com acompanhamento de um profissional de saúde local. O médico especialista atende de forma remota.
O formato tem sido usado principalmente em áreas como cardiologia, neurologia, dermatologia, ortopedia e psiquiatria — especialidades em que a espera costuma ser maior. A expectativa da Sesa é ampliar esse leque, conforme a adesão dos profissionais.
Para os municípios, a teleconsulta virou uma solução prática. Em vez de enviar pacientes para outras cidades, o atendimento acontece perto de casa, reduz custos de transporte e acelera diagnósticos. Para o Estado, a aposta é que o modelo ajude a “desafogar” a rede e reduzir o tempo de espera por consulta especializada.
O desafio agora é transformar planejamento em execução. Sem médicos interessados nos editais, não há tecnologia que resolva fila. A teleconsulta, por si só, não cria atendimento — ela só muda o formato. Quem garante o serviço continua sendo gente de jaleco do outro lado da tela.

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