Entenda como sua emoção comanda sua produtividade

Entenda como sua emoção comanda sua produtividade

Ao longo da minha jornada como mentora de líderes e consultora em desenvolvimento humano, percebi que existem dois comportamentos que se manifestam com frequência entre profissionais que vivem sob pressão e decisões constantes: a procrastinação e a precrastinação. Embora sejam opostos na forma, os dois compartilham a mesma raiz: a dificuldade de lidar emocionalmente com o desconforto que certas tarefas nos provocam. A procrastinação, como muitos já conhecem, acontece quando adiamos o que precisa ser feito, empurramos com a barriga, racionalizamos que “depois será melhor”. Já a precrastinação é um pouco mais sutil: é aquela urgência de fazer tudo de imediato, especialmente o que é mais fácil ou acessível, como forma de aliviar a tensão emocional causada por algo mais complexo que ainda está por vir.

Para quem lidera um negócio, um time ou a si mesmo, isso pode se traduzir em um padrão muito comum: estar o tempo todo ocupado, correndo atrás de pequenas tarefas, resolvendo pendências operacionais, respondendo mensagens e organizando o que já está sob controle mas, mesmo assim, sentir que não está avançando no que realmente importa. O sentimento de frustração aparece porque, embora haja movimento, falta direção. Em muitos momentos, o que precisamos não é de mais produtividade, e sim de mais clareza emocional para identificar o que está por trás do nosso comportamento diante das tarefas desafiadoras.

Eu mesma já me vi diversas vezes começando o dia com entusiasmo, mas rapidamente sendo engolida por demandas menores, que me davam a sensação de que eu estava sendo eficiente. No entanto, ao final do dia, percebia que as decisões mais importantes, aquelas que exigiam mais de mim continuavam sendo adiadas. Era como se, inconscientemente, eu estivesse me protegendo do desconforto, substituindo o que era essencial por uma sequência de tarefas mais leves e previsíveis. E isso, por mais contraditório que pareça, também é uma forma de fuga.

Com o tempo, estudos e a prática da auto-observação, compreendi que muitas vezes não é sobre o tempo que temos ou não temos, mas sim sobre a forma como lidamos com o que sentimos ao encarar cada ação. O medo de falhar, o receio do julgamento, a ansiedade frente ao novo, a sobrecarga emocional, tudo isso interfere diretamente na nossa relação com o fazer. É por isso que digo que produtividade não é apenas uma questão de organização, mas sim de regulação emocional. Quando aprendemos a identificar o que sentimos e a dar nome a esses sentimentos, temos mais chance de agir com intenção e menos chance de reagir no modo automático.

Algo que me ajuda, e que ensino em minhas mentorias,  é cultivar a prática do “só começar”. Muitas vezes, o maior bloqueio não está na tarefa em si, mas no medo que criamos em torno dela. Quando damos o primeiro passo, mesmo que pequeno, quebramos a inércia. É como acender a luz em um cômodo escuro: o cenário pode continuar o mesmo, mas agora conseguimos enxergar e nos mover com mais segurança. E é impressionante como, ao simplesmente começar, ganhamos confiança para continuar. Aquele e-mail difícil, aquele planejamento estratégico, aquele pitch que você tem evitado… tudo começa a parecer mais possível quando você permite sentir o desconforto e age mesmo assim.

Por isso, se você percebe que tem adiado decisões importantes ou se sente o tempo todo fazendo coisas, mas sem alcançar o que deseja, talvez seja a hora de se perguntar com honestidade: o que estou tentando evitar? O que estou tentando controlar? O que, de fato, importa agora? Essas perguntas não têm como objetivo gerar culpa, mas ampliar a sua consciência sobre o seu padrão de comportamento. E a partir dessa consciência, você pode fazer escolhas mais alinhadas com o seu propósito e com o que realmente deseja construir.

A liderança começa com a autoliderança. E ela exige coragem! Para pausar, escutar a si mesmo e agir com clareza, mesmo quando a emoção parece nos puxar para a zona de conforto. Equilibrar produtividade com presença é uma das maiores habilidades que um líder pode desenvolver e ela começa dentro de você.

Com presença e propósito,

Vanessa Freitas

Mentora em Liderança, Carreira e Gestão | Fundadora da Avalon Consultoria

Colunista da Liderança em Foco – Portal Foco no ES

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