Descubra quais são as 10 doenças que prejudicam o envelhecimento saudável

Descubra quais são as 10 doenças que prejudicam o envelhecimento saudável

A expectativa de vida dos brasileiros, mensurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 76,4 anos. Mas a pesquisa Attitudes to Ageing 2025 (Atitudes em relação ao envelhecimento – tradução livre), realizada pela Ipsos em 32 países, aponta que o brasileiro acredita que vai viver até os 80 anos.

O problema está em como envelhecer. Médicos apontam que doenças como hipertensão, diabetes, obesidade, osteoporose e declínio cognitivo estão entre as que mais comprometem a qualidade de vida, principalmente após os 50 anos, sendo que muitas delas podem ser prevenidas.

A geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) – Seccional Espírito Santo, Daniela Barbieri, destaca que essas doenças são algumas das principais causas de perda de anos de vida com saúde no Brasil e no mundo.

“Essas doenças geralmente são silenciosas e não dão sinais, sendo muito importante a ida ao médico para serem identificadas. Poucas pessoas apresentam os sintomas clássicos do diabetes, que são urinar muito, ter muita sede e fome ou mesmo infecções recorrentes e micoses”, alerta.

“No acompanhamento médico regular, essas e outras doenças podem ser detectadas facilmente, através de exame físico e de sangue, e podem ser tratadas adequadamente para minimizar o risco das complicações”, orienta Daniela.

Hábitos saudáveis são fundamentais, ressalta a cardiologista Natália Patez, para a prevenção e controle de doenças como hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade e a próprio infarto e AVE (acidente vascular encefálico).

“É fundamental conhecer os seus números, como pressão, peso, glicose e colesterol, pois são fatores de risco modificáveis com o tratamento adequado, consequentemente prevenindo outras doenças fatais”.

A neurologista Mariana Grenfell destaca que hoje é sabido que cerca de 90% dos AVCs poderiam ser evitados e 40% dos casos de demência poderiam ser evitados ou adiados se a pessoa controlasse fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

“Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e manter o cérebro ativo (com leitura, estudo e novos aprendizados) são pilares fundamentais. Ou seja: não é apenas o corpo que precisa de treino e músculos, o cérebro também!”.

Mudança na rotina

Durval mudou hábitos e transformou a saúde aos 49 anos |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
O segurança Durval Amorim, de 49 anos, há 5 anos mudou sua rotina após descobrir, por meio de exames, que estava com o colesterol alto e hipertensão. Ele conta que mudou sua alimentação, incluindo proteína em todas as refeições e reduzindo ao máximo lanches e frituras.

Mesmo com uma rotina de trabalho à noite, Durval não abre mão de malhar pelo menos três vezes por semana, e viu sua saúde mudar com a nova rotina. “Em pouco tempo não precisei mais tomar o remédio de colesterol, mas sigo tomando o remédio de pressão, já que trabalho à noite e acabo não dormindo todas as noites”.

Doenças após os 50 anos
O que afeta o envelhecimento
1. Hipertensão Arterial

Conhecida como pressão alta, é uma das doenças crônicas mais comuns após os 50 anos. A hipertensão aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, afetando diretamente a qualidade e a expectativa de vida.

2. Colesterol e Triglicerídeos elevados (Dislipidemia)
O excesso de gorduras no sangue contribui para aterosclerose, aumentando o risco de infarto e AVC.

Por conta desse risco, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou suas diretrizes definindo que para pessoas com baixo risco cardiovascular, a meta do LDL, considerado colesterol ruim, é ficar abaixo de 115 mg/dL.

Quem tem risco extremamente elevado, a meta é ficar com o LDL abaixo de 40 mg/dL. O risco extremo é definido como histórico de múltiplos eventos cardiovasculares (como AVC e infarto) ou um evento cardiovascular combinado com pelo menos duas condições de alto risco, como diabetes, tabagismo e doença renal crônica.

3. Diabetes
É caracterizado pelo aumento de glicose no sangue e pode levar a complicações cardiovasculares, renais e neurológicas.

4. Sarcopenia
A perda de massa e função muscular acompanha o envelhecimento e está relacionada à fraqueza, quedas e limitações funcionais. A prática de exercícios de força ajuda a prevenir e minimizar seus efeitos.

5. Obesidade
A obesidade é fator de risco para outras enfermidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer. Estudos apontam que a obesidade é fator de risco para 32 diferentes tipos de câncer como mama, intestino, útero e rins.

6. Acidente Vascular Cerebral
O AVC pode causar sequelas graves, como dificuldades de fala, movimentos e cognição. As principais causas são: hipertensão, diabetes tipo 2, colesterol alto, obesidade, sedentarismo e tabagismo.

7. Doenças osteoarticulares
Osteoartrite (“artrose”) e lombalgia estão entre as condições que mais comprometem a mobilidade e a qualidade de vida, limitando a independência e aumentando o risco de quedas.

8. Osteoporose
Caracterizada pela fragilidade óssea, aumenta o risco de fraturas mesmo com impactos leves. Fraturas de quadril, por exemplo, podem gerar incapacidade permanente e até aumentar a mortalidade.

9. Doenças neurodegenerativas
Alzheimer e Parkinson são exemplos que afetam memória, comportamento e movimentos. As doenças neurológicas crônicas antecipam limitações, aceleram perdas e reduzem a autonomia. Cerca de 40% dos casos de demência poderiam ser evitados ou adiados com controle de fatores de risco.

10. Distúrbios do sono
Problemas como insônia, apneia e má qualidade do sono são comuns após os 50 anos. Estudos apontam que noites mal dormidas podem reduzir a longevidade em quase uma década.

Saiba Mais
Senescência
Conjunto de alterações naturais que acontecem no envelhecimento, como flacidez, rugas, cabelos brancos, entre outros.

Senilidade
É o aparecimento de sinais de doenças à medida que a pessoa envelhece, como dor articular, falta de ar para realizar atividades e cansaço excessivo.

Expectativa de vida
Uma pessoa nascida no Brasil em 2023 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,4 anos.

Para os homens a expectativa era de 73,1 anos. Já as mulheres era de 79,7 anos.

Fonte : Tribunaonlaine