Ibama fecha terminal pesqueiro em Itapemirim e aplica R$ 22 milhões em multas por pesca irregular

Ibama fecha terminal pesqueiro em Itapemirim e aplica R$ 22 milhões em multas por pesca irregular

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fechou temporariamente o terminal pesqueiro de Itaipava, em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, durante uma operação de fiscalização realizada nesta quarta-feira (24).

A Operação Makaira resultou na aplicação de 260 multas, que somam R$ 22 milhões, e no lacre de 45 embarcações acusadas de pesca irregular. Não houve apreensão de pescado, e parte das embarcações ainda não foi localizada.

Segundo o Ibama, os barcos foram identificados atuando em áreas restritas, como plataformas de petróleo entre o litoral do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. A prática é proibida por representar risco de acidentes ambientais e favorecer a pesca predatória.

Método de pesca e riscos

De acordo com o chefe da Divisão Ambiental do Ibama, José Vicente Silva, as embarcações utilizavam o método conhecido como espinhel de superfície, em que quilômetros de linha com centenas de anzóis capturam não apenas peixes, mas também espécies como tartarugas e aves marinhas.

Com o apoio de imagens de satélite, os agentes monitoraram as rotas dos barcos e identificaram pontos de pesca em áreas de exclusão próximas às plataformas de petróleo.
“Essas embarcações correm o risco de provocar acidentes ambientais graves, já que nessas áreas há plataformas, dutos, mergulhadores e tráfego intenso de embarcações”, explicou Silva.

Parte das multas e suspensões poderá ser revertida mediante vistoria técnica em Vitória. Caso contrário, as embarcações que insistirem em operar sem regularização estarão sujeitas a sanções mais severas.

Reação dos pescadores

Durante a fiscalização, pescadores relataram dificuldades com a ação. O presidente da associação de pescadores de Itaipava, Ulisses Vieira Raposo, criticou o bloqueio do acesso ao porto.
“Somos impedidos no direito de ir e vir e não conseguimos chegar às embarcações. Infelizmente, nunca somos ouvidos. O Ibama não dialoga com o pescador. O que está acontecendo é uma perseguição”, afirmou.

Apoio do município

A Secretaria Municipal de Aquicultura e Pesca informou que mantém diálogo permanente com a categoria e dá suporte para a regularização da frota. A pasta explicou que parte das embarcações já está em dia com a documentação, mas ainda há casos pendentes, em geral relacionados a dívidas junto a órgãos federais.