David Dutra e a Revolução do Audiovisual Capixaba: Criatividade, Cinema e Cultura Local
O universo audiovisual no Espírito Santo tem ganhado cada vez mais força e visibilidade, revelando talentos que, com dedicação e criatividade, vêm transformando a cena cultural local. Entre esses nomes, destaca-se David Dutra, produtor audiovisual, editor de vídeo e fundador da Alfa Filmes, produtora que vem chamando atenção pela qualidade técnica e pelo cuidado estético em suas criações. Nascido em Recife (PE) e trazido ainda pequeno para o Espírito Santo, David cresceu em Nova Almeida, distrito da Serra, onde descobriu cedo a paixão por contar histórias por meio da imagem. Desde os tempos de escola, em pequenas produções caseiras, já demonstrava sensibilidade para observar o cotidiano e traduzi-lo em linguagem audiovisual.


Antes de mergulhar de vez no setor criativo, David acumulou experiência no mundo corporativo, atuando na área administrativa de uma grande rede hospitalar. Esse percurso lhe proporcionou visão estratégica, disciplina e noções de gestão que hoje se refletem no modo como conduz seus projetos na Alfa Filmes. Com essa base sólida, somada à sua inquietação criativa, ele vem construindo uma trajetória marcada pela versatilidade: já realizou videoclipes musicais, campanhas institucionais, documentários, séries e coberturas de eventos, sempre buscando aliar profissionalismo a uma estética diferenciada.

No campo da música, sua câmera já esteve a serviço de nomes como Diego Santana, Luiz Massa, Bárbara Black, Leandro Tobias e Banda Flash Back, traduzindo em imagem as identidades e sonoridades de artistas capixabas que vêm conquistando espaço no cenário nacional. Em trabalhos ao lado do produtor e assessor Dam Bianquim, parceiro do apresentador Wesley Sathler, assinou coberturas de eventos de grande relevância no Espírito Santo, traduzindo em linguagem audiovisual a força e a importância da cena capixaba.

Paralelamente à atuação de encomenda, David vem investindo em projetos autorais que revelam seu compromisso com a valorização de narrativas periféricas e locais. Entre eles está a série em desenvolvimento “O Último Corre”, atualmente em fase de roteiro, que se propõe a retratar a vida nas periferias com estética cinematográfica e abordagem sensível, fugindo dos estereótipos e trazendo novos olhares sobre realidades urbanas.

A inquietação de David, no entanto, não se limita ao audiovisual. Ele também é criador do portal PLOOU, espaço digital que reúne notícias, conteúdos sobre turismo, cultura e cotidiano da Serra, ampliando sua presença como comunicador e fortalecendo sua ligação com a comunidade. O PLOOU já alcançou milhares de visualizações e se consolidou como um canal de difusão da identidade local com linguagem jovem e acessível.

Com temperamento desbravador e postura inovadora, David Dutra representa uma geração de realizadores capixabas que enxergam no audiovisual não apenas um mercado, mas uma ferramenta potente de comunicação, expressão cultural e transformação social. Entre a disciplina adquirida no mundo corporativo e a sensibilidade artística que o guia desde a infância, ele tem encontrado um caminho singular, equilibrando profissionalismo e criatividade.

Nesta entrevista, David fala sobre suas origens, suas inspirações e os bastidores de sua trajetória no audiovisual. Reflete ainda sobre os desafios e as oportunidades do setor no Espírito Santo, compartilha suas experiências à frente da Alfa Filmes e do PLOOU, e aponta seus próximos passos em direção a uma carreira cada vez mais promissora.

Entrevista
1. Você nasceu em Recife, mas cresceu em Nova Almeida, na Serra. Como essa vivência em diferentes lugares influenciou seu olhar artístico e sua trajetória no audiovisual?
R: Eu costumo dizer que carrego um pouco do melhor dos dois mundos. Recife é uma cidade muito cultural, cheia de música, dança e história, e mesmo tendo saído de lá ainda pequeno, sinto que essa raiz nordestina faz parte de mim. Já Nova Almeida foi onde realmente cresci, vivi minha infância e juventude, em contato com o mar, com a simplicidade do interior, mas também com as mudanças urbanas da Serra. Essa mistura me deu um olhar muito sensível para histórias reais, para a cultura popular, para o jeito do povo. Tudo isso influencia muito no meu trabalho audiovisual, porque eu sempre busco transmitir verdade e identidade em cada projeto.
2. A paixão pelo audiovisual surgiu ainda na infância. Que lembranças mais fortes você tem desse período e de como começou a transformar esse interesse em profissão?
R: Lembro muito das produções escolares. Sempre que tinha um trabalho em grupo, eu já puxava a ideia de fazer em vídeo, inventava roteiros, pegava uma câmera simples e envolvia todo mundo. Aquilo me fascinava, porque eu via a possibilidade de transformar uma ideia em imagem. Aos poucos, comecei a editar sozinho, a brincar com efeitos, trilhas, e quando percebi já estava produzindo clipes e cobrindo eventos de amigos músicos. Foi nesse momento que percebi que poderia transformar a paixão em profissão.
3. Antes de investir no audiovisual, você trabalhou na área administrativa de uma rede hospitalar. De que forma essa experiência contribuiu para a sua atuação como produtor e gestor na Alfa Filmes?
R: Trabalhar na área administrativa me deu uma base muito sólida em organização, gestão de processos e principalmente em lidar com pessoas. No audiovisual, não basta ter a parte criativa, é preciso saber administrar prazos, orçamentos e equipes. Esse período me ensinou a ter disciplina, visão empresarial e responsabilidade, coisas que aplico até hoje na Alfa Filmes.
4. Você já produziu trabalhos para artistas capixabas de diferentes estilos. Como é o processo criativo de traduzir a identidade de cada músico em linguagem audiovisual?
R: Eu acredito que cada artista tem sua verdade e minha missão é entender essa essência. Antes de qualquer gravação, eu gosto de conversar bastante, ouvir a música, entender a história por trás dela, os símbolos que fazem parte da identidade do artista. A partir daí, crio um conceito visual que dialogue com essa identidade. É quase como traduzir uma linguagem sonora em imagem.
5. “Você tem prestado trabalhos para o produtor e assessor Dam Bianquim, que mantém uma parceria com o renomado apresentador capixaba Wesley Sathler. Como tem sido essa experiência de atuar em coberturas de grandes eventos capixabas e qual a importância desse tipo de trabalho para sua trajetória no audiovisual?
R: Trabalhar com o Dam Bianquim tem sido uma experiência muito enriquecedora, porque ele é um produtor e assessor muito ativo na cena capixaba, sempre conectado a grandes nomes e eventos. A parceria que ele tem com o Wesley Sathler, que é um apresentador renomado e respeitado no Espírito Santo, também abre portas para trabalhos de grande visibilidade. Nas coberturas que realizo, meu foco é trazer uma linguagem cinematográfica e profissional, valorizando cada detalhe e registrando esses momentos de forma marcante. Esses projetos têm sido muito importantes para a minha trajetória, porque me colocam em contato com diferentes públicos e reforçam a presença da Alfa Filmes no mercado de eventos de grande destaque no estado.
6. Entre seus projetos autorais está a série O Último Corre. O que pode nos contar sobre essa produção e como ela busca retratar o cotidiano periférico com estética diferenciada?
R: O Último Corre é uma série que nasce da vontade de mostrar o lado humano da periferia, sem romantizar, mas também sem cair no estereótipo. É a história de um ex-entregador de app que tenta mudar de vida, mas precisa fazer um último trabalho para quitar uma dívida. O diferencial está na forma de contar essa história, com uma estética cinematográfica, inspirada em grandes produções, mas mantendo a autenticidade do cotidiano periférico capixaba. É um projeto que representa muito para mim, porque é também um cartão de entrada para o audiovisual capixaba em outro nível.
7. A Alfa Filmes já produziu videoclipes, campanhas institucionais, documentários e coberturas de eventos. Qual desses formatos mais te desafia e qual te dá maior satisfação em realizar?
R: Cada formato tem seu desafio, mas acho que o documentário é o que mais me instiga, porque exige pesquisa, sensibilidade e a capacidade de ouvir e traduzir histórias reais. Já o videoclipe é o que mais me diverte e me satisfaz, porque é onde consigo soltar a criatividade e experimentar linguagens.
8. Você também criou o portal PLOOU, que mistura jornalismo, cultura e turismo. Como surgiu essa iniciativa e qual impacto ela vem gerando na comunidade da Serra?
R: O PLOOU nasceu da vontade de contar histórias locais, de dar visibilidade para a cultura, para o turismo e para o que acontece na nossa região. Muitas vezes, a Serra só é lembrada pelos problemas, e eu quis mostrar o outro lado: a riqueza cultural, os talentos, os lugares incríveis que temos. O impacto tem sido muito positivo, porque as pessoas se reconhecem e se sentem valorizadas.
9. O audiovisual capixaba tem crescido e ganhado espaço nacionalmente. Na sua visão, quais são os principais desafios e oportunidades para quem produz no Espírito Santo hoje?
R: O maior desafio ainda é a falta de investimento e reconhecimento, mas por outro lado vejo uma grande oportunidade: o Espírito Santo está cheio de histórias únicas, cenários incríveis e talentos que ainda não foram explorados pelo mercado nacional. Quem conseguir unir profissionalismo e criatividade tem espaço para crescer e se destacar.
10. Quais são seus próximos passos e sonhos como produtor, tanto na Alfa Filmes quanto em projetos autorais?
R: Meu foco agora é fortalecer ainda mais a Alfa Filmes, levando a produtora para novos mercados e projetos maiores. Nos trabalhos autorais, quero consolidar séries como O Último Corre e avançar com outras ideias que já estão no papel. Meu sonho é ver o audiovisual capixaba ganhando cada vez mais projeção e fazer parte dessa transformação, levando nossas histórias para o Brasil e para o mundo.
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