Café do Caparaó: símbolo de identidade, superação e excelência reconhecida
Entre montanhas, neblinas e estradas de chão, um dos cafés mais respeitados do Brasil nasce da força de famílias que preservam a tradição, inovam nas técnicas e conquistam reconhecimento. Na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, o café arábica do Caparaó se destaca não apenas pela qualidade, mas também como expressão de identidade e resistência.
A produção da região recebeu a certificação de Denominação de Origem (DO), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que reconhece produtos com características únicas, diretamente ligadas ao solo, clima e saberes locais. O selo protege o nome da região, fortalece a economia e valoriza o território.
De quase desistência ao topo do Brasil
O produtor Deneval Miranda, do Sítio Cordilheiras, em Iúna (ES), pensou em abandonar a roça em 2010. Diante de dificuldades financeiras, chegou a cogitar vender o sítio. O convite para participar de um concurso de cafés especiais foi o ponto de virada. Sem experiência com cafés finos, mergulhou nos estudos, fez cursos, investiu em estrutura e, anos depois, colheu os frutos: em 2017 entrou para a lista dos dez melhores produtores do Brasil, venceu em 2018 e novamente em 2023, com o título de melhor café do país.
Hoje, além de produtor premiado, Deneval é vice-presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e sonha em transformar seu sítio em uma escola do café.
Transformações e valorização regional
Nos anos 1980, o café do Caparaó não era sinônimo de qualidade. Chuvas na época da colheita dificultavam a produção e muitos agricultores pensavam em desistir. Décadas depois, o cenário é outro. A combinação entre dedicação dos produtores, investimento em ciência e apoio técnico transformou a região em referência nacional e internacional.
Mulheres lideram produção e turismo
A produtora Tatiana Favoreto, de Muniz Freire, também superou desafios. Após mudanças na vida pessoal, decidiu empreender junto com as irmãs Juliana e Poliana. Começaram com uma lanchonete em Iúna, que evoluiu para uma cafeteria premiada. Hoje, a marca própria, Café Três Anas, tem alta demanda e é reconhecida pela qualidade.
Tatiana também atua no turismo local e na governança regional. Para ela, a certificação da Denominação de Origem representa um divisor de águas. “Antes, nossos cafés não tinham nome. Agora têm identidade e orgulho”, afirma.
Reconhecimento coletivo
A certificação da DO do Café do Caparaó, concedida em 2021, abrange dez municípios do Espírito Santo e seis de Minas Gerais. O reconhecimento é fruto da articulação entre produtores, instituições e órgãos de pesquisa. A presidente da Apec, Cecília Nakao, destaca que a IG protege o nome da região, valoriza o que é local e amplia as oportunidades na gastronomia e no turismo.
Mais que um café: um território em cada xícara
A Indicação Geográfica (IG) reconhece produtos com reputação e qualidades vinculadas à sua origem. No caso do Caparaó, trata-se da Denominação de Origem (DO) – o nível mais alto de certificação –, que comprova a ligação direta entre o produto, o território e os saberes locais.
Cada xícara do café do Caparaó carrega uma história. Um território inteiro, com suas pessoas, sua cultura e sua resiliência, expresso em aroma e sabor.
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