Tartaruga-de-couro faz desova fora de época em praia da Serra e surpreende biólogos
Uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), considerada a maior tartaruga marinha do mundo, foi flagrada subindo à areia para desovar na Praia de Jacaraípe, na Serra, na noite desta terça-feira (8). O registro chamou a atenção de pesquisadores por acontecer fora da temporada habitual de reprodução da espécie no Espírito Santo.
Segundo o biólogo Alexsandro Santos, da Fundação Projeto Tamar, a ocorrência é atípica, já que a desova da tartaruga-de-couro costuma acontecer entre setembro e dezembro, principalmente em Regência, no litoral norte capixaba — área que é o principal berçário da espécie no Brasil.
Tamanho impressiona
De acordo com o Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff) e o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), o animal media cerca de 1,5 metro de comprimento por 1,2 metro de largura. Durante a ação de monitoramento, a equipe coletou material genético para análise de DNA.
Pelas marcas deixadas na areia, os especialistas estimam que esta tenha sido a terceira vez que o mesmo exemplar visitou a Praia de Jacaraípe — mas a primeira em que foi visto desovando.
Área isolada para proteção
Uma equipe do Batalhão da Polícia Militar Ambiental acompanhou o momento e isolou o local para proteger o ninho e garantir a tranquilidade da fêmea. Moradores foram orientados a manter distância, evitar barulhos e não usar flash em fotografias, para não estressar o animal.
“Apesar de ocorrer fora de época, isso não indica que a tartaruga esteja doente ou debilitada. Pelo contrário: um animal fraco não conseguiria completar a migração nem desovar, porque isso exige muita energia”, explicou o biólogo Alexsandro Santos. “É possível que ela esteja adiantada para a próxima temporada ou atrasada da última.”
Ovos e filhotes
Uma tartaruga-de-couro costuma botar de 80 a 90 ovos por ninhada, que demoram entre 50 e 60 dias para eclodir — dependendo da temperatura da areia, fator que também determina o sexo dos filhotes. Tanto as fêmeas quanto os filhotes saem dos ninhos preferencialmente à noite, para evitar predadores e o calor excessivo.
Uma das maiores ameaças ao sucesso da eclosão é a iluminação artificial, que pode desorientar os filhotes na hora de seguir em direção ao mar. Por isso, o Ipram estuda monitorar de perto ou até transferir o ninho para uma área mais escura, caso seja necessário.
Espécie criticamente ameaçada
A tartaruga-de-couro é classificada como criticamente ameaçada de extinção no mundo. No Espírito Santo, a espécie é monitorada com uso de tecnologia de satélite, marcação de ninhos e trabalho de educação ambiental com comunidades.
A principal área de reprodução no Brasil é o litoral norte capixaba, com destaque para as praias de Regência e Povoação, em Linhares e Aracruz, abrangidas pela Reserva Biológica de Comboios, gerida pelo ICMBio.
Orientação para a população
O Ipram reforça que, caso o animal seja avistado novamente, a orientação é manter distância e avisar imediatamente a equipe de monitoramento pelo telefone (27) 99970-2576.
📍 Sobre a tartaruga-de-couro:
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Maior tartaruga marinha do planeta, podendo ultrapassar 2 metros de comprimento e 700 kg.
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Fêmeas voltam para desovar, geralmente, na mesma praia onde nasceram.
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Iniciam a fase reprodutiva por volta dos 14 anos, com intervalos de dois anos entre uma temporada de desova e outra.
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